Argentina aumenta previsão de crescimento

O governo argentino elevará, pela segunda vez, sua meta de crescimento para o ano, dos atuais 3,6% para uma estimativa em torno de 4%. Com essa novidade, o ministro da Economia, Roberto Lavagna, receberá, na segunda-feira, uma missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) que examinará o cumprimento das metas de janeiro. A missão será comandada por John Thornton, que encontrará outras novidades. Lavagna ordenou uma redução na estimativa de inflação e no taxa de câmbio, que está incluída no acordo assinado em janeiro, fechado após um ano de negociações. O otimismo do governo com o desempenho da economia é compartilhado por empresas de consultoria privadas. O banco de investimentos J.P. Morgan calculou 4,5% e o banco espanhol Santander estendeu o índice para próximo de 5%. No orçamento aprovado para 2003, o cálculo de crescimento foi de 3%. Mas logo foi elevado para 3,6% no acordo com o FMI, auspiciado por vários indicadores que confirmaram o fim da recessão. Lavagna disse que será mais cauteloso que as opiniões das empresas privadas, mas não quis revelar o novo índice. Estimativas extra-oficiais dizem que ficará em torno de 4% e que servirá para compensar a modificação para menos que será feita nas metas de inflação e na taxa de câmbio e que teriam tido um impacto sobre a arrecadação. O cálculo da inflação será revisto dos atuais 22% para menos de 20%. A cotação do dólar a 3,85 pesos, estimativa para o final do ano, será reduzida para 3,40 pesos. IndústriasA revalorização do peso é um assunto que preocupa os industriais argentinos. O presidente da União Industrial Argentina, Héctor Massuh, afirmou que esse crescimento só será possível se houver uma recuperação no nível de investimentos. "Não há porque duvidar que haja uma reativação da economia. Em algumas áreas industriais é mais perceptível do que em outras, mas todas estão crescendo", disse ele. Para o industrial, depois de quatro anos de recessão econômica, "há muita capacidade instalada ociosa que está voltando a produzir" e que permitirá que a nova meta de Lavagna seja cumprida. Mas esclarece "que chegará um ponto em que haverá necessidade de investimentos para que se passe da etapa de reativação para um crescimento sustentado". Ele advertiu que, se não houver ingressos de capital, "a reativação poderá acabar em uma espiral inflacionária". GuerraEsse cenário de prosperidade enfrenta o desafio da possível guerra dos Estados Unidos contra o Iraque. Um economista do governo admitiu que, na hipótese de um conflito bélico, "os investimentos serão paralisados no mundo inteiro e, se o conflito for prolongado, as conseqüências terão um impacto sobre a economia e limitarão o crescimento a 1,5%". O funcionário, que pediu para não ser identificado, garantiu que "o país não alcançará esse nível de crescimento".

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