Argentina começa hoje a negociar com o FMI

A dura negociação entre a Argentina e o FMI terá início hoje com a chegada de John Dodsworth, o representante-residente do organismo em Buenos Aires, que pedirá uma série de explicações ao governo. Além de querer saber sobre como o governo fará para absorver o impacto fiscal do pagamento do Fundo de Incentivo Docente, a partir de 2004, e como continuará o processo de disciplina fiscal e monetária das províncias, o FMI reiterará a preocupação sobre a concentração de vencimentos da dívida contraída fora da moratória, com a emissão dos bônus (Boden) trocados por depósitos presos no "corralito". Os bônus, que vencem em 2005 e 2006, são os mais preocupantes, porque o pagamento destes exigirá um considerável superávit primário, a menos que o governo consiga um financiamento dos organismos multilaterais. O presidente Néstor Kirchner já adiantou que não apertará o cinto mais do que o previsto, uma meta de superávit primário de 2,5% do PIB, para não colocar em risco a recuperação da economia.Porém, o FMI não aceita esse argumento e considera que sem uma sustentável oferta de reestruturação da dívida em moratória e um planejamento para o resgate da dívida nova, não há solução para nenhum problema da Argentina.

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