Argentina continua comandando mercados

O noticiário econômico argentino continua sendo a principal variável comandando as oscilações dos mercados no Brasil. O dia pode começar nervoso nos negócios devido às últimas notícias. Em entrevista a uma TV argentina na noite de segunda-feira, o ministro da Economia, Domingo Cavallo, anunciou a substituição do presidente do Banco Central da Argentina, Pedro Pou. A decisão ainda não é oficial, mas, conforme apurou a correspondente da Agência Estado, Marina Guimarães, a expectativa é de que haja algum anúncio oficial sobre a troca de comando no BC argentino ainda durante a manhã.Ontem, pela primeira vez, falou-se abertamente na possibilidade de reestruturação da dívida do país - alongamento de prazo e desconto em função da incapacidade de pagamento -, embora a desvalorização do peso ainda seja assunto proibido. Os mercados ficaram um pouco confusos; não chegaram a demonstrar otimismo, mas observam essa nova rodada de discussões com interesse. Apesar do ceticismo reinante, calcado nas reais dificuldades do país, as medidas supostamente em discussão fazem mais sentido do que tudo o que foi apresentado até agora. Solução para ArgentinaO presidente George W. Bush afirmou anteontem que os Estados Unidos estudam a possibilidade de conceder créditos para a Argentina, diretamente ou através de organismos internacionais. Paralelamente, três bancos estrangeiros (CS First Boston, JP Morgan Chase e Goldman Sachs) teriam sugerido renegociar a dívida de curto prazo do governo. Domingo Cavallo nega tudo veementemente e não oferece muitas opções, causando perplexidade.O fato é que a medida parece razoável para os investidores como forma de dar mais tempo para que a economia se recupere. Mas isso só ocorreria se houver reformas profundas e, possivelmente, desvalorização cambial. O peso sobrevalorizado e preso ao mecanismo legal de paridade com o dólar prejudica a competitividade dos produtos argentinos. Esse é o maior entrave para a economia, em recessão há 34 meses. Porém, tanto governo como empresas estão fortemente endividados em dólar, e, ocorrendo uma desvalorização do peso, os débitos cresceriam, com conseqüências desastrosas, que a reestruturação da dívida amenizaria.Medidas exigem habilidade do governo Existe uma sensação entre os investidores de que, se as medidas forem bem arquitetadas, a instabilidade pode ser controlada e um trauma econômico mais profundo, evitado. Mas tudo depende da habilidade do governo, e a reação de Cavallo não deixa de ser inquietante. Além disso, as novas possibilidades criam a expectativa de que o governo realize a reestruturação da dívida com apoio de recursos norte-americanos. Caso isso não ocorra, o nervosismo pode aumentar. Indecisos entre boatos e negativas, os mercados sofreram muitas oscilações. O dólar voltou a registrar alta ontem, fechando em R$ 2,26 na ponta de venda, depois de alcançar R$2,28. Os juros ficaram praticamente estáveis e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) registrou pequena valorização (1,43%).Crise política interna prossegueSem amenizar muito a tensão dos investidores, o Senador José Roberto Arruda admitiu sua culpa na violação do painel de votação na sessão de cassação do ex-Senador Luis Estevão e pediu perdão. Também atribuiu a responsabilidade final ao então presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães, que negou qualquer participação no incidente. A verdade é que não interessa ao governo a instauração de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar denúncias de corrupção no Executivo federal. Nem os Senadores arquiinimigos ACM e Jader Barbalho desejam a continuidade dos conflitos, que podem resultar na cassação de um pela violação do painel do Senado e da condenação do outro pelo possível envolvimento no desvio de obras da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). O mercado comenta que o mais provável é que as tentativas de abafar todas as investigações tenham sucesso e sejam afastados esses possíveis focos de instabilidade.Veja tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.