Argentina corta envio de gás para o Uruguai

A Argentina cortou ontem o envio de gás para o Uruguai, afetando grandes empresas, segundo informação do Ministério de Indústria, Energia e Minas do Uruguai. Como a demanda domiciliar argentina tem aumentado nos últimos dias devido ao frio, o país reduziu o envio de gás para o Uruguai. Diariamente, a Argentina envia 30 mil metros cúbicos de gás ao país vizinho. O Uruguai tem um consumo diário de 300 mil metros cúbicos diários, dos quais 260.000 metros cúbicos são destinados ao consumo residencial e de empresas que possuem contratos denominados "firmes", ou seja, que não podem ser interrompidos.

MARINA GUIMARÃES, Agencia Estado

22 de junho de 2011 | 17h26

O restante vai para as indústrias, cujos contratos preveem cortes no fornecimento. Este tipo de contrato permite um preço mais barato pelo combustível, mas não dá garantias de fornecimento ininterrupto. Por isso, as empresas possuem alternativas de combustível para usar durante o inverno, quando a prioridade do fornecimento do gás é para residências e para os contratos "firmes". Dados da companhia MontevideoGas, controlada pela Petrobras, mostram que em maio a demanda de gás no Uruguai aumentou 34,5%, na comparação com igual mês de 2010. Nos primeiros 20 dias de junho, a demanda cresceu 22,4%.

Em dias de temperaturas mais baixas, o consumo das residências aumenta porque a maioria dos sistemas de aquecimento funciona com gás. O mesmo ocorre na Argentina, assim como o mecanismo de corte de gás para a indústria para garantir o abastecimento domiciliar.

Desde 2005, quando a crise energética bateu à porta da Argentina, as indústrias sofrem com os cortes durante o inverno. A União Industrial Argentina (UIA) informou, na semana passada, que a interrupção do fornecimento de gás já começou no interior argentino, em províncias como Córdoba, onde centenas de indústrias importantes estão instaladas.

A preocupação é dos dois lados do Rio da Prata porque, ao déficit energético argentino, somou-se um novo problema nos últimos 40 dias. Uma greve de professores na principal província produtora de petróleo e gás, Santa Cruz, bloqueou refinarias e provocou retração na produção de petróleo e gás.

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