Argentina cria mais restrições ao câmbio

A semana começa com novas regras para restringir ainda mais o mercado de câmbio. As operações de compra e venda de valores denominados em moeda estrangeira, negociados em Bolsa, deverão ser pagos com moeda estrangeira. Além disso, o Banco Central estipulou que as empresas ou pessoas que queiran comprar mais de US$ 100 mil por mês, deverão ter autorização do BC. O objetivo é freiar uma operação que tem atraído muitos interessados nas últimas semanas e consiste em comprar com cheques (pesos presos no "corralito") ações de empresas norte-americanas, chamadas de Cedear, cotadas na Bolsa de Buenos Aires. O mecanismo funciona com a ordem de venda destas ações em Wall Street, imediata após a compra. Com isso, os dólares que recebem pela operação ficam depositados no exterior. Ou seja, a pessoa ou empresa conseguia liberar pesos do "corralito", os transformava em dólares e os deixava fora do país. O recurso é utilizado também com bônus da dívida denominado em dólares, como o Global 2008. A operação é considerada um verdadeiro tráfico de dólares. Porém, a utilização das ações dos Estados Unidos é uma via de mão dupla porque também existem aqueles que querem saldar suas dívidas pesificadas e trazem os dólares através do mesmo mecanismo.Na semana passada, o Banco Central já havia adotado outras restrições como a obrigatoriedade de realizar as operações que envolvem exportações maiores que US$ 200 mil dólares pelo caixa do Banco Central. As casas de câmbio não poderão ter, ao final do dia, um estoque próprio maior que um US$ 1,5 milhão e meio de dólares. A quantia acima disso, deverá ser vendida ao BC. Também tornou-se obrigatório transformar em pesos todo os dólares que entrem por um período mínimo de 90 dias antes de voltar para o exterior. O objetivo é evitar o capital especulativo. O BC ainda reduziu de US$ 500 para 300 mil dólares do limite que os bancos com mais de 50 agências poderão vender. Os bancos com menos agências têm o limite diário de US$ 150 mil dólares.As medidas caíram mal no mercado que interpreta como "um distanciamento ainda maior do governo com o Fundo Monetário", o que se lê como "não deverá haver um acordo, nem mesmo pequeno", disse um operador à Agência Estado, alertando que as medidas aumentarão também a distância entre os preços do mercado oficial e os do paralelo. Estimam que o mercado negro vai aumentar e que quanto mais restrições ao movimento de capitais, mais cairá o fluxo de investimento por parte do exterior, e isso acentuaria a recessão. O analista da consultoria Argentine Research, Rafael Ber, considera que as medidas levarão as empresas, que antes se ajustavam à uma operação legal, a buscarem o mercado negro.Leia o especial

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