Argentina cria nova barreira contra o Brasil

Regra do ?um para um? passa a valer para brinquedos e calçados

Ariel Palacios, BUENOS AIRES, O Estadao de S.Paulo

15 de junho de 2009 | 00h00

O governo da presidente Cristina Kirchner intensificou sua política protecionista para impedir o que denomina de ?invasão? de produtos estrangeiros. Depois da série de medidas que englobam desde licenças não-automáticas à imposição de cotas para produtos - entre os quais, Made in Brazil - agora ela lança uma nova ofensiva com a criação de um sistema de ?um a um? para as importações de produtos dos setores de calçados, brinquedos e eletrodomésticos. Estes são setores ?sensíveis? para o Brasil, já que o país é um dos grandes fornecedores do mercado argentino.O anúncio foi feito para uma centena de empresários pelo Secretário de Comércio da Argentina, Guillermo Moreno. Ele indicou que esses setores, se quiserem importar, terão que exportar a mesma quantidade - em dólares - de produtos que trouxerem para o mercado interno. Além da proteção das indústrias nacionais, a medida de Moreno tem como objetivo brecar a crescente fuga de capitais. Nos últimos dois anos, saíram do país US$ 38 bilhões.Com a medida, o governo pretende que os empresários gerem suas próprias divisas para importar. Os empresários deverão assinar uma declaração em cartório na qual se comprometem a exportar a mercadoria com valor equivalente à importada no prazo de um ano.Diversos empresários indicaram que não contavam com produtos para exportar. Moreno, conhecido por sua falta de papas na língua, retrucou: "ora, pega a malinha e vai para Angola exportar alguma coisa!".O governo argentino também está atrasando as licenças não-automáticas para os produtores dos setores considerados mais sensíveis. Importadores reclamam de grandes quantidades de mercadoria paralisada na alfândega. A espera, afirmam, demora 120 dias, podendo chegar em alguns casos a até um ano. O presidente do Centro de Despachantes da Aduana, Rubén Pérez, declarou que as licenças chegam até 120 dias.O vice-presidente da Câmara de Importadores da Argentina, Diego Santistéban, diz que as restrições não passam de uma jogada eleitoral, já que o governo enfrentará no dia 28 deste mês decisivas eleições parlamentares. Com esta medida, o governo consegue a simpatia dos industriais argentinos afetados pela crise econômica e dos setores mais nacionalistas do eleitorado.

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