Argentina cria nova barreira contra o Brasil

O governo da presidente Cristina Kirchner intensificou sua política protecionista para impedir o que denomina de ''invasão'' de produtos estrangeiros. Depois da série de medidas que englobam desde licenças não automáticas à imposição de cotas para produtos - entre os quais, Made in Brazil - agora ela lança uma nova ofensiva com a criação de um sistema de ''um a um'' para as importações de produtos dos setores de calçados, brinquedos e eletrodomésticos. Estes são setores ''sensíveis'' para o Brasil, já que o país é um dos grandes fornecedores do mercado argentino.

AE, Agencia Estado

15 de junho de 2009 | 09h05

O anúncio foi feito para uma centena de empresários pelo Secretário de Comércio da Argentina, Guillermo Moreno. Ele indicou que esses setores, se quiserem importar, terão que exportar a mesma quantidade - em dólares - de produtos que trouxerem para o mercado interno. Além da proteção das indústrias nacionais, a medida de Moreno tem como objetivo brecar a crescente fuga de capitais. Nos últimos dois anos, saíram do país US$ 38 bilhões. Com a medida, o governo pretende que os empresários gerem suas próprias divisas para importar. Os empresários deverão assinar uma declaração em cartório na qual se comprometem a exportar a mercadoria com valor equivalente à importada no prazo de um ano.

Diversos empresários indicaram que não contavam com produtos para exportar. Moreno, conhecido por sua falta de papas na língua, retrucou: "ora, pega a malinha e vai para Angola exportar alguma coisa!". O governo argentino também está atrasando as licenças não automáticas para os produtores dos setores considerados mais sensíveis. Importadores reclamam de grandes quantidades de mercadoria paralisada na alfândega. A espera, afirmam, demora 120 dias, podendo chegar em alguns casos a até um ano. O presidente do Centro de Despachantes da Aduana, Rubén Pérez, declarou que as licenças chegam até 120 dias. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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