Argentina dá sinais de estatização do setor elétrico

Governo convocou uma reunião com empresários da área nessa sexta. Há ainda rumores de aumento de tarifas

Marina Guimarães, da Agência Estado,

24 de agosto de 2012 | 11h55

BUENOS AIRES - O vice-ministro de Economia da Argentina, Axel Kicillof, convocou os empresários do setor elétrico para uma reunião nesta sexta-feira. Há rumores de estatizações de empresas distribuidoras de energia elétrica e de aumentos nos preços das tarifas de eletricidade, segundo apurou a Agência Estado com fontes do mercado. De acordo com uma fonte, um dos boatos do mercado é de que a Companhia Administradora do Mercado Atacadista Elétrico (Cammesa), organismo oficial que administra o mercado elétrico, poderia absorver a Transportadora de Energia (Transener), empresa distribuidora e geradora de energia de alta tensão que é controlada pela Pampa Holding, grupo que também controla a distribuidora Edenor.

Também se comenta que a Edenor poderia ser estatizada, já que está no alvo do organismo regulador do setor, Enre, desde o final do ano passado. A agência acusa a Edenor por dívidas insustentáveis e prestação de serviço deficiente. Desde maio, em plena convulsão pelo efeito da estatização de 51% da YPF, que o mercado comenta sobre os riscos de estatizações no setor elétrico. Na reunião de hoje, estarão representantes das geradoras de energia Endesa, AES e Sadesa; as distribuidoras de alta tensão, Transener e Transba, e as distribuidoras aos consumidores, Edenor, Edesur e Edelap.

Os boatos de estatização envolvem ainda a companhia distribuidora de gás, a Metrogas. Os empresários têm expectativa de que o governo anuncie, nos próximos dias, um aumento de preços do gás e demais combustíveis, segundo disse à AE, a presidente da Federação de Empresários de Combustíveis, Rosario Sica. "Tivemos um aumento de 300% no gás que compramos e é claro que o governo terá de autorizar o repasse desse aumento ao consumidor", explicou. Com as tarifas dos serviços praticamente congeladas e subsidiadas desde 2001, as distribuidoras de eletricidade e de gás afirmam que suas finanças estão estranguladas porque a alta de custo não é compensada pelas tarifas, nem pelos subsídios.

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