Argentina deixa de controlar o câmbio e peso deve ser desvalorizado em 40%

O fim da limitação para compra e venda de dólar era a principal promessa de Mauricio Macri; taxa de juros foi elevada para 38%

Rodrigo Cavalheiro, correspondente , O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2015 | 15h07

BUENOS AIRES - O governo argentino acabará na tarde desta quarta-feira, 16, com o controle sobre o mercado de câmbio imposto em 2011 pelo kirchnerismo, o que levará a uma desvalorização repentina do peso estimada em 40%. O fim da limitação para compra e venda de dólar era a principal promessa de Mauricio Macri, que assumiu a Casa Rosada no dia 10. Ele defendia a aplicação medida no primeiro dia de mandato e a concretizará no sexto.

A tendência é que a liberação não seja absoluta, mas se amplie de acordo com um esperado aumento nas reservas do Banco Central, oficialmente em US$ 24,8 bilhões. Os detalhes sobre a mudança - se haverá cotas para comprar ou faixas de valores por setores econômicos - serão divulgados no fim da tarde.

Há temor entre economistas que a desvalorização, ao reduzir o poder de compra, atrapalhe outro compromisso do governo, de reduzir a inflação. Para evitar sobressaltos, o governo elevou a taxa de juros a 38%. Segundo especialistas, a manutenção desse patamar no longo prazo tende a prejudicar o desempenho econômico.

A liberação dependia de empréstimos conseguidos com bancos estrangeiros e BCs de outros países. A ajuda do Brasil neste aspecto foi mencionada tanto por Macri quanto pelo candidato derrotado na eleição, o kirchnerista Daniel Scioli, que prometia medida semelhante mas aplicação de forma mais gradual. Macri já havia anunciado que a desvalorização não passaria dessa semana.

A adequação deve atingir importadores, exportadores e turistas, mesmo que boa parte deles já recorresse conforme a conveniência ao mercado paralelo, onde a moeda americana era vendida nesta manhã por 14,70 pesos - a valor oficial é de 9,76 pesos. O governo esperava que o valor do dólar liberado ficasse em torno de 14 pesos.

O "cepo", como é chamado na Argentina, em alusão a uma tortura que imobiliza a vítima, foi adotado em outubro de 2011, após a vitória de Cristina Kirchner com 54% dos votos e seu domínio da Câmara e do Senado. A intenção era limitar a saída de divisas. Uma desvalorização foi feita em janeiro de 2014, mas foi logo diluída pelo aumento da inflação e não garantiu uma melhora na competitividade de exportadores. Tanto empresas importadoras quanto exportadoras reclamavam da falta de acesso a dólares para comprar maquinário ou pagar fornecedores. Pessoas físicas precisavam de uma autorização do Fisco para comprar dólares. Elas eram liberadas sem critério e normalmente ocorriam em quantia menor que a solicitada. 

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