Argentina deve antecipar a flutuação plena do peso

Nas próximas horas, junto com a missão negociadora do Fundo Monetário Internacional (FMI) que desembarca hoje em Buenos Aires, o governo argentino decidirá antecipar a liberação do câmbio para daqui umas duas semanas. A flutuação da moeda será decidida conforme as conversas que os enviados do FMI, Claudio Loser, Tomás Reichmann e John Thorton terão com a equipe econômica durante as 48 horas que permanecerão no país. O governo espera o comprometimento oficial do FMI de conceder a ajuda extra, com o objetivo de fortalecer as reservas, para fazer seu anúncio. A medida não deverá estar incluída no pacote a ser anunciado no próximo sábado, que dirá respeito somente à pesificação total da economia e à mobilização do ?corralito?, conforme fonte do ministério de Economia. A mudança no tipo de câmbio é uma exigência do FMI para restabelecer o envio de US$ 9 bilhões já aprovados e suspensos por causa do descumprimento das metas fiscais do governo anterior. Claudio Loser, chefe do departamento do Hemisfério Ocidental do Fundo, Tomás Reichmann, auditor do caso argentino, e John Thorton, encarregado da divisão Río da Prata, negociarão com a equipe econômica amparados no discurso do diretor-gerente do FMI, Horst Köhler, de que os bancos são importantes e que será necessária uma reestruturação do sistema financeiro; a flutuação livre do peso; a adoção de medidas fiscais eficazes e um plano econômico sustentável; como condições fundamentais para a concessão de qualquer ajuda. As presenças destes três representantes de alto nível do FMI indica que as negociações estão em andamento e abrem a possibilidade de que a ajuda financeira seja concretizada. Porém, a ajuda viria somente com a apresentação de um ?plano econômico sustentável e de um orçamento exeqüível?. Por enquanto, o orçamento que está sendo elaborado com a colaboração de técnicos do FMI projeta uma queda de 5% do PIB , em 2002, e um déficit em torno de $4 bilhões de pesos. No próximo sábado, o presidente do Banco Central, Mario Blejer, ex-funcionário do FMI, viajará para Washington, onde pretende reforçar a campanha de convencimento da diretoria do organismo, no sentido de aprovar a liberação das verbas esperadas. Posteriormente, Blejer seguirá para Nova York, onde participará do World Economic Forum, junto com o ministro de Economia, Jorge Remes Lenicov. Ambos concederão entrevista coletiva no domingo à tarde. Leia o especial

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