Argentina deve crescer menos do que o esperado

O otimismo que o governo argentino vem depositando na eventual reação da economia do país e com o qual tenta contagiar a população não é compartilhado pelos responsáveis pela liberação dos recursos do pacote bilionário (quase US$ 40 bi) montado para socorrer o país. O ministro da Economia, José Luis Machinea, comemora o ligeiro aumento de 2,6% na arrecadação tributária em janeiro e faz declarações freqüentes de que o PIB crescerá este ano entre 2,5% (conforme acordo assinado com o Fundo Monetário Internacional - FMI) e 5% (a sua expectativa mais otimista). Porém, técnicos do próprio FMI consultados pela Agência Estado acreditam apenas em uma ligeira recuperação, em comparação com o ano passado, quando a economia argentina apresentou crescimento nulo. "Não acredito que a Argentina se recupere este ano. Quando muito, o resultado será um pouco melhor do que em 2000", afirma a fonte do FMI. A mesma avaliação é feita por alguns membros do próprio governo argentino. Eles acreditam, por exemplo, que a economia no primeiro trimestre deste ano não deverá mostrar modificações em relação ao resultado obtido em 2000. Isso significa que restariam três trimestres este ano para conseguir os 2,5% ou 5% de crescimento estimado por Machinea. Ou seja, uma média de pelo menos 0,8% a 1,7% a cada trimestre, o que parece impossível dada a situação do país. O FMI acredita que a Argentina sairá da recessão que se estende há mais de 30 meses, mas reconhece que o país não crescerá tanto quanto foi acertado na carta de intenções que permitiu renovar o acordo stand by. Indagado sobre o motivo pelo qual o FMI aceitou as metas previstas pelo governo argentino para 2001, uma fonte do organismo diz que "sempre há e haverá uma flexibilidade maior" para a Argentina em relação a outros países. "A Argentina sempre teve e terá flexibilidade nos acordos com o FMI", reconhece a fonte. De acordo com ele, essa flexibilidade se deve a dois fatores. O primeiro é o fato de a Argentina ser uma economia grande e isso justificar a preocupação do FMI em não a deixar cair. O segundo é o fato de a Argentina jamais ter deixado de honrar seus compromissos externos. Embora o otimismo de alguns técnicos do FMI seja bem mais discreto do que o do governo argentino, o organismo multilateral acredita que existem fatores determinantes para que a economia do país comece a se recuperar do marasmo no qual afundou a partir de setembro de 1998. "Sem dúvida que a forte redução nas taxas de juros norte-americanas será um fator muito favorável para o cenário argentino", a fonte. Outro aspecto que deve favorecer a Argentina, segundo ele, é o crescimento da economia brasileira. "O valor do dólar frente a outras moedas é menos importante para a Argentina do que o valor dessa moeda em relação ao real e à economia brasileira, já que a maior parte das exportações de manufaturados (35%) argentinos vai para o Brasil e outros países do Mercosul", explica.

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