Argentina e Brasil definem 8 setores para iniciar integração produtiva

Parceria engloba tanto setores considerados estratégicos como os setores sensíveis

Marina Guimarães, da Agência Estado,

19 de fevereiro de 2010 | 14h11

Os governos da Argentina e do Brasil definiram oito setores, divididos em duas categorias, para dar início ao processo de integração produtiva, segundo informou à Agência Estado o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Reginaldo Arcuri. A primeira delas envolve os setores estratégicos, que têm perspectivas de mais longo prazo: petróleo e gás; autopeças; aeronáutico e maquinaria agrícola. A outra inclui os setores sensíveis, madeira e móveis, linha branca, lácteos e vinhos.

 

Estes últimos estão envolvidos, de alguma maneira, em negociações mais específicas, já que estão submetidos a diferentes tipos de restrições comerciais. Arcuri reconhece que os setores sensíveis geram frequentes conflitos entre os dois países, mas pondera que eles também têm potencial de integração. "A ideia não é fazer mágica, mas acentuar a discussão onde há espaço para fazer integração e, no fim, terá redução de atritos", disse Arcuri ao final do segundo e último dia de reunião com o governo argentino, para discutir o assunto, em Buenos Aires.

 

Uma nova reunião já foi marcada para o dia 17 de março. Até lá, os dois governos terão muitas tarefas para realizar. Segundo Arcuri, a Argentina e o Brasil vão fazer um levantamento das ações que já foram feitas no sentido de facilitar a integração produtiva dos setores definidos, para poder traçar novas metas. Além disso, vão verificar quais os instrumentos de financiamento que já estão disponíveis.

 

A ideia é avaliar com o setor privado se as atuais linhas de créditos são suficientes ou se são necessárias novas ferramentas ou ajustes. Os setores mencionados também terão seus marcos regulatórios estudados para correções de eventuais problemas, que dificultam o acesso às linhas de crédito e a integração.

 

Antes da próxima reunião, os governos vão promover ainda uma rodada de contatos com esses setores. "Precisamos saber se eles têm o interesse de que realizemos todo esse esforço. Essa é a grande revolução: vamos ter uma articulação direta com o setor privado", ressaltou Arcuri. Ele lembrou que o trabalho dos governos de ambos os países é criar condições econômicas para que os negócios sejam mais atraentes para as empresas. "A integração produtiva é apenas a realização de negócios", definiu.

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