Argentina e Brasil discutem novo acordo automotivo

Segundo a ministra argentina, ambos os ministros consideram "importante chegar a um novo protocolo automotivo bilateral", já que o atual vence em junho de 2013

Marina Guimarães, correspondente de O Estado de S. Paulo,

19 de setembro de 2012 | 19h56

BUENOS AIRES - Um novo acordo entre a Argentina e o Brasil para administrar o comércio do setor de automóveis, a partir de 2013, começa a ser discutido em reunião prevista para o dia 2 de outubro, em Brasília. O encontro faz parte do plano de trabalho acertado entre os ministros de Indústria, Débora Giorgi, e Fernando Pimentel, respectivamente, durante reunião realizada em junho passado, por ocasião da Cúpula do Mercosul. "Buscamos reduzir as compras de fora do Mercosul, que chegaram a US$ 37 bilhões em 2011, no setor de automóveis e autopeças", disse Giorgi, nesta quarta, através de nota distribuída à imprensa.

Segundo a ministra argentina, ambos os ministros consideram "importante chegar a um novo protocolo automotivo bilateral", já que o atual vence em junho de 2013. Porém, o Brasil vai adotar um novo regime para sua indústria a partir de janeiro, que prevê maior proteção nacional. A ministra afirmou que Pimentel se comprometeu a dar "tratamento nacional" às autopeças produzidas pela argentina dentro do novo regime brasileiro. Uma das maiores reclamações do governo argentino no comércio com o Brasil diz respeito ao déficit que seu país experimenta no setor de autopeças. Em 2011 foi de US$ 3,02 bilhões, e em 2012, US$ 2,3 bilhões.

Giorgi informou que na próxima reunião "serão discutidos temas de caráter técnico industrial, com pautas sobre investimento, produção e conteúdo regional da produção de automóveis". Ela explicou que os dois governos estão conscientes de que, "o contexto internacional e a realidade da indústria global requerem novas regras de jogo, que garantam uma maior integração regional, a modernização dos produtos e da indústria e um aumento de conteúdo tecnológico dos automóveis produzidos na região".

O governo de Cristina Kirchner espera obter benefícios com o novo regime automotivo do Brasil, como ferramenta para corrigir o déficit comercial estrutural que a Argentina registra nos últimos anos com seu principal parceiro do Mercosul. Ontem, o secretário de Comércio Interior da Argentina, Guillermo Moreno, desembarcou em São Paulo com mais de 100 fabricantes argentinos de autopeças para uma rodada de negócios com outros 100 brasileiros.

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