Argentina e Brasil podem criar mercado regional de soja

Os principais mercados argentinos com operações a futuro de soja avançam nos estudos sobre a criação de um mercado regional que fixe o preço da soja latino-americana, uma idéia lançada pelo secretário de Agricultura, Miguel Campos, em meados do ano passado, durante entrevista à Agência Estado, em Buenos Aires. Cerca de 50% da colheita mundial de soja encontra-se na América Latina, sendo que a maior parte está concentrada no Brasil e na Argentina, dois dos maiores exportadores mundiais do produto. No entanto, o preço da soja é fixado pelo mercado de Chicago, uma situação criticada por Miguel Campos: "Como nós, os maiores exportadores de soja, podemos estar sob os critérios de um mercado norte-americano?", questiona. O Mercado a Término de Buenos Aires (Matba) e o Mercado de Futuros de Rosário (Rofex) estão trabalhando no projeto do mercado regional junto com a brasileira Bolsa de Mercadorias e Futuros (BMF), de São Paulo. "Queremos armar um mercado de futuros que reflita a elevada produção concentrada pela Argentina, Brasil e, em menor proporção, Paraguai e Bolívia", explica o presidente do Centro de Corretores e Agentes da Bolsa de Cereais de Buenos Aires, Mario Marincovich. No entanto, há um obstáculo para a integração dos mercados da Argentina e do Brasil, segundo comenta, que é a cotação interna da soja praticada em ambos países. "Temos questões complicadas como os impostos e um exemplo disso são as retenções (impostos às exportações) cobrados na Argentina", destaca Marincovich. Ele afirma também que a Argentina é responsável por 70% das operações a futuro de soja e é o maior mercado da América do Sul. Já o mercado brasileiro, ressalta, ainda está pouco desenvolvido em relação à soja. "Teremos que fazer uma boa aliança, contribuindo com nosso know how para a criação do novo mercado regional", diz.

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