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Argentina e Brasil tentam definir mecanismo de salvaguardas

Representantes dos governos do Brasil e da Argentina se reunirão hoje, terça-feira, em Buenos Aires para tentar entrar na reta final das negociações que definirão o formato do Mecanismo de Adaptação de Competitividade (MAC), novo nome da Cláusula de Adaptação Competitiva (CAC). O mecanismo, exigido pelo governo do presidente Néstor Kirchner com insistência desde setembro de 2004, consiste em um sistema de salvaguardas no comércio bilateral com o qual se impediriam eventuais "invasões" de produtos brasileiros na Argentina e vice-versa.Os analistas argentinos destacam que o MAC será aplicado principalmente pela Argentina para evitar supostas "avalanches" de produtos Made in Brazil. No entanto, os empresários brasileiros também poderão utilizar esta ferramenta. O país "invadido" poderá aplicar um aumento das tarifas para os produtos "invasores" por um tempo determinado.O governo Kirchner costuma alegar que a economia argentina ainda está se recuperando (embora tenha tido três anos consecutivos de exuberante crescimento do PIB e que para o público interno o presidente exalte a recuperação ocorrida desde que tomou posse) da crise que assolou o país entre 2001 e 2002, e que por isso o setor industrial está "debilitado". Além disso, destacam que a balança comercial bilateral ficou significativamente deficitária para a Argentina, já que o Brasil contou, no ano passado, com um saldo favorável em US$ 3,6 bilhões no comércio com a Argentina.Portanto, Kirchner pede ao Brasil, o "sócio grande" do Mercosul, que "compreenda" suas penúrias e impeça o que o próprio presidente chamou de "depredação" da indústria nacional.A aplicação do MAC, por um lado, reduzirá a entrada do produto "invasor" no país-sócio. Mas, ao mesmo tempo, obrigará o setor industrial, que será beneficiado pela aplicação do MAC (e que alegava que era "vítima" de uma "invasão" externa), a se modernizar e se adaptar à concorrência dos rivais do outro lado da fronteira.No âmbito diplomático, em Buenos Aires afirma-se que as negociações furarão o prazo estipulado pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Néstor Kirchner, que determinava que no dia 31 de janeiro o MAC estaria pronto. Desta forma, as conversas bilaterais poderiam prolongar-se por mais alguns dias ou semanas. Nesta terça-feira seriam concluídas as linhas gerais do MAC, ficando para depois os detalhes.

Agencia Estado,

31 de janeiro de 2006 | 08h09

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