Natacha Pisarenko/AP
Natacha Pisarenko/AP

Fundo Monetário Internacional libera US$ 50 bi para a Argentina

Acordo com o Fundo Monetário Internacional vale por 36 meses e será acompanhado por programa para retomar o equilíbrio fiscal do país

Cláudia Trevisan, correspondente Washington, O Estado de S.Paulo

07 Junho 2018 | 20h36

O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou nesta quinta-feira, 07, a concessão de empréstimo de US$ 50 bilhões à Argentina, que há um mês pediu socorro à entidade em meio a uma crescente turbulência financeira. O acordo terá vigência de 36 meses e será acompanhado de um programa econômico dedicado à busca do equilíbrio fiscal no país.

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Segundo comunicado do FMI, as autoridades argentinas indicaram a intenção de sacar a primeira parcela do empréstimo, cujo valor não foi revelado. Depois disso, o financiamento seria tratado como “preventivo” – espécie de seguro que afasta o risco de o país não cumprir compromissos internacionais. A expectativa é que a disponibilidade de recursos acalme os mercados e reduza o custo de captação da Argentina.

O empréstimo foi anunciado 17 anos após o país entrar em default, que não foi evitado apesar dos pacotes de ajuda do FMI entre 2000 e 2002. No mês passado, o fantasma da crise voltou a assombrar os argentinos. O peso se desvalorizou em relação ao dólar e, em resposta, o BC elevou os juros para 40%. “No coração do plano econômico do governo está o reequilíbrio da situação fiscal”, disse a diretora-gerente da instituição, Christine Lagarde, em nota. “Apoiamos totalmente essa prioridade e damos as boas-vindas à intenção das autoridades de acelerar o passo da redução do déficit do governo federal, para restaurar o balanço primário até 2020.”

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Lagarde ressaltou os esforços de controle da inflação, que ronda os 20% e é a mais alta da região depois da Venezuela. “Endossamos a decisão do Banco Central de adotar metas de inflação realistas e significativas e o seu compromisso em manter uma taxa de câmbio flexível e determinada pelo mercado.”

Os termos do acordo ainda serão submetidos à diretoria do Fundo, mas a expectativa é de que sejam aprovados. Lagarde disse esperar que o empréstimo “stand-by” aumente a confiança do mercado e dê às autoridades tempo para tratar de “uma gama de vulnerabilidades de longa data”. 

O governo de Mauricio Macri se comprometeu a manter, por três anos, o patamar atual de gastos sociais como proporção do PIB. Segundo Lagarde, isso oferecerá “oportunidade e apoio” aos que vivem na pobreza.

No mês passado, ela avaliou que a volatilidade financeira na Argentina foi provocada pelo aperto de condições financeiras em âmbito global e a seca que prejudicou a safra do país. A expectativa de elevação mais acelerada da taxa de juros nos Estados Unidos têm levado à saída de recursos de mercados emergentes, o que provoca a desvalorização de várias moedas, entre as quais o real.

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