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Argentina e FMI iniciam negociação em 15 dias

O chefe da missão do Fundo Monetário Internacional na Argentina, Anoop Singh, está redigindo um comunicado no qual indica que o Fundo abrirá as negociações com a Argentina dentro de 15 dias, quando o Fundo e o governo trabalharão juntos na elaboração de um plano sustentável para a economia argentina, o qual deverá levar em conta as necessidades dos mais pobres, diz uma fonte ligada à equipe econômica.O comunicado reconhece o esforço do governo argentino, mas ressalta a necessidade deste plano vir a ser elaborado. O conteúdo do comunicado deverá surpreender porque durante toda a visita de duas semanas da missão do FMI, Anoop Singh se mostrou crítico. O comunicado deverá ser divulgado no final da tarde desta sexta-feira, quando a equipe do Fundo deixará Buenos Aires.PreçosO novo secretário argentino de Concorrência, Desregulação e Defesa do Consumidor, Pablo Challú, admitiu que o governo estuda a possibilidade de estabelecer preços máximos para os produtos que mais têm aumentado nas prateleiras dos supermercados.Pablo Challú disse que a secretaria está de olho nos produtos que têm apresentado preços "muito maiores do que os custos de produção, aqueles casos em que os preços sobem acima de qualquer lógica". As declarações do secretário foram feitas durante um seminário sobre Direitos dos Consumidores. SocorroO presidente argentino Eduardo Duhalde disse hoje que o governo cumpriu a maioria das exigências impostas pelo FMI, mas afirmou que algumas condições poderão não ser cumpridas a curto prazo, com o risco de aprofundar ainda mais a crise. Em entrevista a uma rádio de Buenos Aires, o presidente disse que a Argentina precisa com urgência a ajuda financeira dos organismos internacionais para reestruturar a economia, que enfrenta uma das crises mais sérias da história. "Dos dez pontos que o FMI pediu, oito deles foram atendidos, mas existem alguns que não podemos fazer agora", disse.Entre as exigências que não podem ser atendidas está o resgate de bônus em pesos que foram emitidos pelas províncias para pagar o funcionalismo público e provedores logo depois de uma falta de liquidez. Duhalde disse que, no momento, é impossível resgatar esses títulos, que somam cerca de US$ 1,83 bilhão e circulam como moeda paralela ao peso argentino. Para resgatar esse títulos, sem lastro, o governo teria de emitir pesos, mas isso causaria inflação.Outra exigência do Fundo se refere à nova Lei de Falências e Concordatas, que, de acordo com analistas, incentiva empresas a não cumprir com os compromissos. A lei permite às empresas negociar com seus credores. RuimDuhalde que o pior que um país como a Argentina pode fazer é não proteger o que restou da indústria. "Se não conseguirmos proteger o que sobrou, principalmente sem ajuda externa, será ruim para o país", disse. Na véspera, o presidente havia acusado o FMI de ser também responsável pela crise.O presidente argentino lembrou que o Fundo havia "endeusado" o sistema de conversibilidade. "Durante 11 anos, esse mesmo staff esteve errando na Argentina, agora querem encontrar bodes expiatórios, dirão que são os governantes, que é a corrupção", disse Duhalde. Na realidade, acrescentou o presidente, "foram as políticas econômicas erradas que nos levaram a essa situação". Para o presidente, não houve orientação para sair daquele modelo e que os que endeusaram a conversibilidade transformaram o FMI em um altar.BloqueadoA Argentina vem tentando desbloquear pelo menos US$ 9 bilhões que restaram do acordo de quase US$ 21 bilhões assinado em dezembro de 2000 pelo então ministro José Luis Machinea. Esse recursos serviriam para pagar os vencimentos que a Argentina tem este ano com os organismos multilaterais de financiamento e para destravar outros US$ 2 bilhões de créditos do Bird e do BID.Na quarta-feira, porém, o porta-voz do Fundo, Thomas Dawson, declarou em Londres que as negociações com a Argentina não serão rápidas. Na reunião anual do BID, esta semana em Fortaleza, o ministro de Economia, Jorge Remes Lenicov, fez pedidos dramáticos de socorro à Argentina. Sem ajuda, disse ele, dificilmente a Argentina sairá da estagnação econômica e do risco de uma explosão social.Leia o especial

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