Argentina e Senado assustam mercado

Ontem os mercados tiveram mais um dia muito tenso e, embora as atuais cotações tenham frustrado as projeções dos mais céticos, o pessimismo é crescente. O mais surpreendente é que as bolsas norte-americanas estão em plena recuperação desde o início do mês, tendo contabilizado ganhos importantes nos últimos dois dias, depois da queda do juro básico. Também o Comitê de Política Monetária (Copom) agiu dentro do esperado, elevando a Selic, a taxa básica referencial de juros, em meio ponto porcentual - de 15,75% para 16,25% ao ano. Mas o escândalo no Senado e a credibilidade em queda do governo argentino assustam os investidores. A cada novidade nesses dois focos de instabilidade, a reação dos mercados é imediata.Crise política: dólar disparaOntem o dólar disparava durante os depoimentos sobre a violação do painel de votação do Senado na sessão que cassou o ex-Senador Luiz Estêvão. A Bolsa e os juros acompanharam o pessimismo. No final da tarde, o Banco Central interveio vendendo títulos cambiais, o que refreou um pouco o movimento de alta. Mas as preocupações eram grandes com a sucessão de eventos. As acusações resultaram na renúncia do líder do governo, Senador José Arruda e também implicam o então presidente da casa, o Senador Antônio Carlos Magalhães. Esse é mais um capítulo da guerra entre ACM e o atual presidente, Senador Jader Barbalho. Outro lance dessa briga que está mobilizando todas as forças do governo é a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar denúncias de corrupção no Executivo federal. Já foram coletadas as 27 assinaturas necessárias para convocar a comissão no Senado, mas a base aliada tenta evitar a CPI. O fato é que as disputas entre duas das principais lideranças dos partidos de sustentação do governo pode ter efeitos imprevisíveis. No mínimo, dificultam a governabilidade do país, desviando o Congresso da atividade legislativa enquanto o Executivo se enfraquece apagando incêndios e elaborando estratégias de defesa.Cai a credibilidade do governo argentinoNa Argentina, a ingerência do ministro da Economia, Domingo Cavallo, em assuntos do Banco Central derrubou a já combalida credibilidade do governo. A situação econômica do país é muito delicada, e o receio de que não haja saída fácil para os problemas é cada vez mais generalizado. No mercado, fala-se em duas opções traumáticas se houver um colapso: a reestruturação da dívida - leia-se calote em algum nível - ou desvalorização cambial, o que não só elevaria as dívidas do governo e empresas, em grande parte denominadas em dólares, como enfrenta obstáculos legais. Como a Argentina afeta diretamente a percepção de risco do Brasil para os investidores, especialmente estrangeiros, os reflexos nos mercados são imediatos.Veja no link abaixo a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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