Natacha Pisarenko/AP
Natacha Pisarenko/AP

Argentina eleva juros em 3 pontos para conter disparada do dólar

Banco Central da Argentina surpreendeu o mercado ao aumentar, nesta sexta-feira, 27, a taxa básica de juros do país para 30,25%

Flavia Alemi e Gabriel Bueno da Costa, O Estado de S.Paulo

27 Abril 2018 | 14h27

A elevação dos juros pelo Banco Central da Argentina (BCRA) pegou os mercados de surpresa nesta sexta-feira, 27, segundo a imprensa do país.A última reunião de política monetária da instituição aconteceu há três dias, mas apenas hoje foi anunciada uma mudança na taxa básica de juros, que passou de 27,25% para 30,25%.

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O movimento é a mais nova tentativa da autoridade monetária de conter a recente disparada do dólar ante o peso argentino. Só neste ano, o valor do peso argentino perdeu 10% em relação ao dólar, até abril.

O Clarín destaca que o BC interveio sequencialmente no câmbio durante essa semana, mas as ações não foram suficientes para que os investidores abandonassem as compras de dólar.

Ao elevar os juros, a entidade incentiva a conversão de dólares para pesos a uma taxa de 30,25%.

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De acordo com o BCRA, o Conselho se reuniu fora de seu cronograma preestabelecido para discutir o mercado cambial e decidiu elevar os juros. "Tomamos essa decisão com o objetivo de garantir o processo de desinflação e estamos prontos para agir novamente se for necessário", diz o comunicado da instituição.

De segunda-feira até quinta-feira, o BC argentino vendeu um total de US$ 2,96 bilhões para tentar brecar a desvalorização do peso argentino, com a maior intervenção diária acontecendo na quarta-feira. Naquele dia, a autoridade vendeu US$ 1,471 bilhão. Mesmo assim, o dólar terminou o pregão de ontem a 20,84 pesos.

Nesta sexta-feira, o dólar voltou a disparar, forçando nova intervenção cambial, que veio acompanhada do aumento das taxas de juros. A ação gerou algum resultado e forçou o dólar a recuar para 20,61 pesos.

Ajuste fiscal. Além do quadro externo, com uma trajetória de aperto monetário gradual nos Estados Unidos, que tende a apoiar o dólar, influem questões internas do país, como a posição fiscal e a elevada inflação.

O Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês) havia alertado que um ajuste fiscal lento poderia afetar "criticamente os níveis da dívida" do país.

O BNP Paribas, por sua vez, também destacou a necessidade de um ajuste fiscal maior e alertou para o risco de que fosse necessário uma desvalorização cambial considerável.

Para o BNP, outro problema é a baixa credibilidade do BC, que teria adiado ajustes necessários antes das eleições legislativas vencidas pelos governistas ligados ao presidente Mauricio Macri, em 2017.

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