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Argentina espera mais protestos hoje

Uma nova passeata de piqueteiros rumo à Praça de Maio e a convocação da Central de Trabalhadores Argentinos (CTA) para uma greve geral marcada para hoje, darão o ritmo da tão temida explosão social ocorrida ontem, a qual deixou o saldo de dois mortos, mais de 90 feridos, quatro deles em estado gravíssimo, e 170 detidos, além de destroços de lojas e veículos. A partir das 16 horas, os piqueteiros marcharão novamente junto com a CTA em protesto pela violência vivida nesta quarta-feira na ponte Pueyrredón que liga a localidade de Avellaneda (província de Buenos Aires) e a Capital Federal (cidade de Buenos Aires). As expectativas para o protesto de hoje são as piores e o governo teme a repetição do inferno vivido em dezembro passado, no episódio que terminou com a renúncia de Fernando de la Rúa, deixando um rastro de sangue, fúria e desolação. Em meio à dura negociação com o FMI (Fundo Monetário Internacional), o presidente Eduardo Duhalde começou a perder seu capital político mais apreciado: o poder de evitar uma nova explosão social, como a que derrubou De la Rúa e seu sucessor, Adolfo Rodríguez Saa. Desde o início de sua gestão, Duhalde e seus funcionários gabam-se por terem conseguido pelo menos uma das condições básicas para a transição ordenada até 2003. No entanto, a operação policial contra a manifestação dos piqueteiros, ontem, para evitar a interrupção do trânsito na ponte, desatou a violência temida pelos argentinos que viram dezenas de mortos na Praça de Maio no final do ano passado. Neste país de 36 milhões de habitantes, dos quais mais de 18 milhões já se encontram abaixo da linha de pobreza e que tem em sua história a memória de 30 mil desaparecidos políticos, a explosão social é algo tão próximo de ocorrer que o governo de Eduardo Duhalde dificilmente poderá evitar. O problema para o presidente é que a única razão pela qual os governadores do Partido Justicialista (PJ) lhe deram a "benção" para ocupar a cadeira presidencial, transitoriamente, era justamente pelo poder de sua estrutura na província de Buenos Aires para garantir uma rede de contenção social. Fragilidade O futuro próximo de Eduardo Duhalde poderá ser medido hoje se o governo conseguirá ou não conter os protestos e absover os custos políticos dos incidentes gerados ontem e os que poderão ser evitados nesta quinta-feira. Por um lado, o cenário é visto pelo governo como uma forma de pressionar o FMI a fechar logo o acordo e dar a ajuda ao país para evitar o pior. Por outro, o FMI estaria negando-se a concluir as negociações, precisamente, por causa da fragilidade de Eduardo Duhalde na presidência do país. Ao final, que garantias pode dar Duhalde de cumprimento das metas que estarão contidas no acordo, se ele corre o risco de cair de um dia para o outro? Esta é a pergunta em tom de afirmação de um importante analista de um grande banco, ouvido pela Agência Estado.Ele considera que a demora do FMI não é somente pela falta de cumprimento da totalidade dos requisitos exigidos para acordar, mas também porque "Duhalde não é bem visto pelo organismo que pensa que ele não vai durar no cargo", afirmou. O analista, no entanto, explica que a própria demora do FMI aprofunda ainda mais a crise e favorece o "transbordamento social".Greve geralOs olhos estão postos nos mais de mil policiais destacados para o centro da cidade e na mobilização marcada para começar à tarde, em frente ao Congresso com caminhada até a praça de Maio. Além do protesto dos piqueteiros, o presidente da CTA , propôs uma greve geral que poderá afetar duramente os órgãos do governo e as escolas. O setor público deverá funcionar precariamente no período da tarde e não haverá classes na maioria das escolas do país. A CTA reúne ainda os aposentados e várias organizações de desempregados. Há uma semana, a central conseguiu colocar mais de 10 mil pessoas em frente à Casa Rosada, em um protesto pacífico e sem incidentes. Pela manhã, a CGT dissidente, liderada por Hugo Moyano, faz uma assembléia para deliberar sua adesão ao movimento. Já a CGT oficial, dirigida por Rodolfo Daer, já anunciou que não acompanhará a decisão.Leia o especial

Agencia Estado,

27 de junho de 2002 | 09h21

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