Argentina espera votação para avançar com FMI

Até ontem à noite, a equipe econômica argentina não havia recebido as objeções da diretoria do FMI ao primeiro rascunho da carta de intenções. Uma fonte do ministério de Economia acredita que as ?anotações do rascunho? deverão ser enviadas ainda hoje e que as expectativas sobre o andamento das negociações são boas. ?O encaminhamento continuará normal, dentro do tempo necessário para fechar o acordo e sem sobressaltos?, disse a fonte, completando que as diferenças são ?puramente técnicas?. Porém admitiu que se o Congresso não avançar no tratamento das leis pedidas pelo organismo, as negociações poderão sofrer atrasos. ?Espera-se que nesta quarta-feira os deputados votem as matérias chaves para que possamos enviar um sinal positivo a Washington?, afirmou a fonte.Os dois projetos mais importantes são os que reformam a Carta Orgânica do Banco Central e o que prorroga para dezembro de 2004 a faculdade do Poder Executivo de renegociar os contratos com as empresas privatizadas dos serviços públicos. No entanto, o governo argentino espera também a votação de outros pontos importantes para a negociação com o FMI: o pacote antievasão e a compensação aos bancos pela pesificação assimétrica dos depósitos. Todos estes projetos deveriam ter sido tratados na quarta-feira passada, mas por falta de quórum na Câmara ficaram para essa semana.O secretário de Finanças, Guillermo Nielsen, viajará na próxima semana à Nova York, Londres e Zurique, para começar a fechar as reuniões com os credores da dívida em default. Segundo o Ministério de Economia, esse será um passo prévio à apresentação que o ministro de Economia, Roberto Lavagna, pretende fazer no dia 23 de setembro, em Dubai, Emirados Árabes, durante assembléia anual conjunta do FMI e Banco Mundial, da proposta de reestruturação da dívida com os credores privados. A equipe econômica acredita que apesar do atraso na negociação com o FMI e na aprovação das leis pedidas pelo organismo, o acordo de três anos será alcançado com tempo de fechar a proposta para apresentá-la em Dubai. Porém, a equipe admite que sem um acordo com o FMI , não será possível apresentar o plano porque teria "pouca credibilidade".

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