Argentina está no caminho certo, diz diretor da FGV

O diretor do Centro de Economia Mundial da Fundação Getúlio Vargas, do Rio de Janeiro (FGV-RJ), Carlos Langoni, acredita que a Argentina está no caminho certo para a resolução da crise econômica que se abateu sobre o país. No programa De Olho no Mundo - uma co-produção entre a Rádio Eldorado AM, de São Paulo, e a BBC, de Londres -, Langoni ressaltou que houve coragem política dos governantes argentinos quando acabaram com a conversibilidade que, na sua opinião, "era insustentável". O economista considera muito importante que a mudança do regime cambial seja ancorada e acompanhada por políticas fiscal e monetária responsáveis para que que a transição ao regime cambial possa ser realizada sem grandes pressões inflacionárias. Langoni não crê na volta da hiperinflação na economia argentina que, segundo ele, está deprimida com queda acentuada no salário real e no PIB. "Se o governo argentino mantiver sua estratégia de uma política monetária, inclusive, acorada num Banco Central independente, e de uma política fiscal responsável, dificilmente vai haver condições para uma explosão inflacionária", comentou.O diretor da FGV calcula que podem haver repiques de aumentos de preços, mas que serão "transitórios, setoriais e, principalmente, em áreas que dependem de produtos importados". Langoni, no entanto, considera que isso poderá ser contido, a exemplo de outros países que passaram recentemente por mudanças de regime cambial, como ocorreu no México, no sudeste asiático, na Rússia e, também, no caso do Brasil, em 1999. "É possível que haja algum aumento de inflação transitória em peso, mas nada que possa caracterizar um processo de hiperinflação, a não ser que haja total descontrole da política monetária e da política fiscal", esclareceu. O economista acrescentou que na opinião dele, "nenhum governo, hoje, ousaria seguir esse caminho porque seria extremamente danoso do ponto de vista político".Para Carlos Langoni, no entanto, é difícil prever o momento em que a Argentina sairá da recessão porque dependerá muito do cenário da economia mundial e de como será implementado o ajuste fiscal e viabilizada a reestruturação das dívidas interna e externa do país. "Se o governo argentino conseguir renegociar um acordo com o FMI, essa liquidez externa será fundamental para permitir, inclusive, a recuperação mais rápida do sistema bancário argentino", afirmou. Segundo ele, quanto mais sólido o sistema financeiro e a expansão do crédito ao setor privado, mas rápida será a recuperação da economia.Leia o especial

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