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Argentina faz acordo e encerra calote de 13 anos com Clube de Paris

Governo de Cristina Kirchner anuncia que o país pagará US$ 9,7 bilhões, mas a maior parte ficará para o governo do próximo presidente a ser eleito no ano que vem

Ariel Palacios, correspondente,

29 de maio de 2014 | 11h49

BUENOS AIRES - O governo da presidente Cristina Kirchner anunciou nesta quinta-feira que fechou um acordo com o Clube de Paris para encerrar o calote pendente desde o dia 23 de dezembro de 2001.Naquela ocasião, o então presidente provisório Adolfo Rodríguez Saá - que ficou apenas uma semana no poder - decretou a suspensão dos pagamentos da dívida pública.

Durante os últimos 13 anos, o governo argentino não pagou a dívida com o Clube de Paris, que originalmente era de US$ 6,5 bilhões. Segundo anunciou o governo Kirchner, o acordo com o Clube de Paris implica no pagamento do capital inicial de US$ 6,5 bilhões mais os juros acumulados.

A Argentina terá que pagar à entidade financeira que reúne um grupo de países credores um total de US$ 9,7 bilhões. O primeiro pagamento será realizado de forma desdobrada, em duas partes.

O primeiro desembolso ocorrerá de forma imediata, no valor de US$ 650 milhões, enquanto que a outra parte será em maio do ano que vem, no valor de US$ 500 milhões, na reta final do governo de Cristina Kirchner.

No entanto, o resto dos pagamentos, isto é, os outros US$ 8,6 bilhões, ficará a cargo do próximo presidente da Argentina, que será eleito em outubro do ano que vem.

O acordo prevê pagamentos adicionais por parte da Argentina aos países do Clube de Paris, caso ocorra nos próximos anos um aumento dos investimentos provenientes dos membros dessa entidade financeira multinacional.

O Clube de Paris reúne 19 países, entre eles a Alemanha, Canadá, França, Espanha, Estados Unidos e Noruega. Desse total a Argentina possui dívidas com 16 deles.

O acordo foi fechado pelo ministro da Economia, Axel Kicillof, com os representantes do Clube de Paris após uma maratona de reuniões de 20 horas de duração na capital francesa, que concluiu em plena madrugada na Europa.

Com este acordo o governo Kirchner pretende encerrar o calote da dívida que estava pendente e assim, tentar dissipar a imagem argentina de "país caloteiro", que a havia transformado em pária dos mercados internacionais.

A Argentina, nos últimos anos, suspendeu o calote da maior parte da dívida pública, retomando os pagamentos com os credores privados cujos títulos foram reestruturados em 2005 e 2010.

As negociações com o Clube de Paris arrastaram-se desde dezembro de 2007, quando a presidente Cristina, recém-empossada, iniciou os primeiros contatos, promentendo velocidade nas conversas com a entidade financeira.

No entanto, as conversas ficaram emperradas em diversas ocasiões. Um dos motivos dos diversos estancamentos nas negociações era a negativa do governo Kirchner de deixar o Fundo Monetário Internacional (FMI) supervisar a economia argentina.

No acordo fechado nesta quarta-feira à noite o governo Kirchner conseguiu um trunfo a seu favor, o de evitar a fiscalização do FMI. No entanto, não conseguiu convencer os países-credores a aceitar um pagamento inicial menor.

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