Argentina faz proposta à Repsol pela expropriação da YPF

Empresa espanhola avalia quantia oferecida por estatização de 51% de suas ações na empresa, feita em 2012, diz fonte do mercado

Marina Guimarães, da Agência Estado,

24 de junho de 2013 | 19h02

BUENOS AIRES - O governo da Argentina apresentou proposta de compensação à companhia espanhola Repsol pela estatização de 51% de suas ações na petrolífera local YPF, ocorrida em maio de 2012 - dizem fontes do mercado financeiro. A oferta teria sido encaminhada pela mexicana Pemex, acionista da Repsol e da YPF, com bom trânsito no governo de Cristina Kirchner.

"A expectativa é de que a oferta seja analisada na próxima reunião de diretoria", disse uma das fontes, sobre o evento desta quarta-feira, 26.

A oferta está muito distante dos US$ 10,5 bilhões reclamados pela Repsol e não inclui dinheiro vivo, conforme as fontes. O governo estaria oferecendo o pagamento de US$ 1,5 bilhão em papéis e uma participação de 47% de quatro campos da área de Vaca Muerta, apontada como a terceira maior reserva potencial de gás e petróleo de xisto. Toda a área de Vaca Muerta é avaliada pela Repsol em US$ 160 bilhões, mas os campos envolvidos valeriam apenas US$ 3,5 bilhões, conforme estimativa da YPF.

Em troca de uma negociação firme, o Executivo argentino quer que a Repsol desista dos processos contra o país em tramitação em diferentes âmbitos legais e no Centro Internacional para Arbitragem de Diferenças sobre Investimentos (Ciadi), do Banco Mundial. As ações judiciais abertas pela Repsol afastam os investidores da exploração e desenvolvimento de Vaca Muerta, a esperança argentina para recuperar autonomia energética.

Há alguns dias, a Repsol denunciou a Chevron à justiça norte-americana por ter assinado um acordo com a YPF com vistas a uma sociedade na exploração da mencionada área. Quando o governo aprovou a expropriação das ações da Repsol, Antonio Brufau , CEO da espanhola, antecipou que a companhia denunciaria perante a Justiça todas as empresas que tentarem se associar com a YPF.

Em março passado, a diretoria da Repsol já havia analisado oferta similar do governo argentino, mas com uma participação de 43% em lugar de 47% da espanhola na exploração da área. Na ocasião, Brufau rejeitou a oferta e insistiu em recordar que "expropriação sem pagamento é confisco".

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