Ricardo Moraes/Reuters
Ricardo Moraes/Reuters

Argentina congela preços de 1.247 produtos para conter inflação

Segundo o acordo, os preços dos produtos, correspondentes a alimentação e limpeza, devem recuar até 1º de outubro e permanecer inalterados até 7 de janeiro

AFP

14 de outubro de 2021 | 20h30

O governo argentino fechou um acordo com empresários para manter por 90 dias os preços de mais de mil produtos da cesta básica, em uma tentativa de conter a inflação, uma das mais altas do mundo, que acumula 37% em 2021.

“Esses 1.247 produtos com preços congelados serão uma âncora para a inflação”, afirmou nesta quinta-feira, 14, o secretário de Comércio Interior, Roberto Feletti. Segundo o acordo, os preços dos produtos, correspondentes a alimentação e limpeza, devem recuar até 1º de outubro e permanecer inalterados até 7 de janeiro.

“O fundamental é frear a inflação e garantir um trimestre de muito consumo", declarou Feletti à rádio El Uncover. O índice de inflação da Argentina foi de 3,5% em setembro, o que elevou a taxa interanual para 52,5%, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas.

A inflação é um problema persistente na Argentina, que registra taxas anuais de dois dígitos há duas décadas. O acordo de preços amplia e reforça o programa “Preços Cuidados", lançado em 2014 para estabelecer valores de referência de 500 produtos básicos da cesta familiar, como instrumento de combate à inflação.

O novo pacto de preços foi aprovado no âmbito de protestos de organizações sociais, que exigem mais assistência e subsídios alimentares devido à crise econômica, que mantém 40% da população na pobreza.

Semanas atrás, o governo decidiu aumentar em 16% o salário mínimo, para elevá-lo a 33 mil pesos mensais (US$ 317, o equivalente a R$ 1,74 mil na cotação atual), menos da metade do valor da cesta básica de uma família típica, segundo o Indec. Também anunciou o pagamento, a partir de outubro, de um complemento que beneficiará quase 2 milhões de assalariados registrados.

A Argentina irá realizar eleições legislativas em 14 de novembro, nas quais o governo tentará manter a maioria no Senado, faltando dois anos para o fim de seu mandato.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.