Argentina fixa cotas para eletrodomésticos do Brasil

A Argentina vai suspender as barreiras não tarifárias impostas na semana passada para as importações de eletrodomésticos da linha branca do Brasil. O acordo, no entanto, foi parcial para as geladeiras e máquinas de lavar roupa. No caso dos fogões, a decisão será tomada em setembro e, sobre geladeiras e máquinas de levar, o acordo final sobre foi adiada para segunda-feira próxima. A informação é do secretário executivo do ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Márcio Fortes, em entrevista concedida aos jornalistas brasileiros em Buenos Aires, pouco antes das 13 horas desta sexta-feira, na sede da Embaixada do Brasil na Argentina. Fortes informou que foram estabelecidas cotas de exportações brasileiras para o mercado argentino até o primeiro semestre de 2005. Para o caso dos fogões, o Brasil exportará 90 mil unidades até dezembro, descontando o que já foi exportado até o momento, o que dará em torno de 40 mil unidades. De janeiro a julho de 2005, as exportações de fogões serão da ordem de 47,5 mil unidades. No item geladeiras, pelo acordo, o Brasil poderá exportar 42.370 mil unidades entre os dias 20 de julho até 30 de setembro próximos. Neste período, um comissão de técnicos de ambos países vão trabalhar num estudo para conhecer qual é o real tamanho do mercado argentino, com o objetivo de definir as cotas futuras. "O problema das geladeiras é que não sabemos, de nenhum dos lados, qual é o tamanho do mercado argentino", explicou Fortes completando que "é claro que a indústria argentina não dispõe de uma produção para atender a demanda interna". Para resolver esse problema, o secretário disse que além da cota estipulada, o Brasil deverá exportar mais unidades para completar o atendimento da demanda local argentina. Em relação às máquinas de lavar roupas, as equipes negociadoras ficaram até a meia-noite discutindo a cifra para as cotas e a Argentina fez uma proposta no último momento, a qual deverá ser discutida pela Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos do Brasil (Eletros), em São Paulo, e dará a resposta na segunda-feira. Pela proposta argentina, seriam impostas cotas somente até dezembro de 2003, pelas quais o Brasil teria 35% do mercado argentino. Porém, os negociadores brasileiros querem que essa fatia seja de 46%. Para chegar à esta cifra, os argentinos teriam que ceder a porção de suas importações de máquinas de lavar roupa de terceiros países, atualmente entre 11 a 13% do mercado local. Para Fortes, estes terceiros países deveriam ficar somente com 2 ou 3% do mercado argentino. "O meu objetivo é seguir a determinação de dar apoio à recuperação da indústria argentina e o que a Argentina precisa para isso" , justificou Márcio Fortes. Segundo ele, se o Brasil abre mão de suas exportações de máquinas de lavar roupa ao mercado argentino, será para "atender a indústria argentina e não para desviar comércio". Ou seja, o Brasil não aceitará deixar de exportar menos para a Argentina para que terceiros países mantenham suas posições no mercado do sócio.

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