EFE/ Juan Ignacio Roncoroni
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ESG

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Bancos argentinos têm de pedir autorização para distribuir lucro

Medida inviabiliza remessa de lucro de instituições financeiras internacionais para suas sedes

Luciana Dyniewicz, Gabriel Bueno da Costa e Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2019 | 20h15

Diante da nova corrida por dólar, o Banco Central da Argentina anunciou que bancos que operam no país terão de pedir autorização para distribuir seus resultados, o que inviabiliza a remessa de lucros de bancos internacionais para suas sedes.

Em comunicado, a autoridade monetária afirmou que “entidades financeiras deverão ter autorização prévia do Banco Central da República Argentina (BCRA) para a distribuição de resultados”. A medida, adotada para garantir liquidez no mercado interno, não alcança pessoas físicas.

A procura por dólares no país se intensificou nesta semana, após o governo de Mauricio Macri anunciar que não pagará a maior parte de sua dívida de curto prazo na data de vencimento, postergando uma parcela para daqui a seis meses. Isso significa que a conta poderá ficar nas mãos de Alberto Fernández e Cristina Kirchner, que formam a chapa da oposição e saíram vencedores nas eleições primárias, em 11 de agosto.

O BCRA leiloou mais US$ 387 milhões de suas reservas internacionais na tentativa de segurar a desvalorização do peso. Se mantiver esse ritmo, as reservas do país se esgotarão em menos de dois meses, ou antes das eleições presidenciais, marcadas para 27 de outubro. Apesar de afirmar possuir US$ 57 bilhões em reservas, pouco menos de US$ 13 bilhões são líquidos.

Os esforços da autoridade monetária, porém, não foram suficientes. O dólar fechou o dia cotado a 59,5 pesos, com alta de 2,8%, após o candidato à presidência Alberto Fernández afirmar ao Wall Street Journal que o Fundo Monetário Internacional (FMI) é responsável pela crise atual. O governo Macri fechou no ano passado um empréstimo de US$ 56 bilhões, o maior já concedido pelo órgão, e agora procura renegociar o pagamento das parcelas, que começam a vencer em 2023. Fernández já afirmou que, se eleito, também renegociará essa dívida.

A agência de classificação de risco Moody’s rebaixou a nota da dívida da Argentina de B2 para Caa2 e informou que alterou a perspectiva de rating do país de negativa para “em observação para eventual rebaixamento”. A Fitch, por sua vez, rebaixou a nota para “default restrito” e afirmou, em nota, que a vitória nas eleições primárias da chapa de Fernández e Cristina (tidos como mais intervencionistas e avessos ao mercado) indica um aumento no risco de descontinuidade das políticas e provoca forte depreciação da moeda.

A também agência classificadora de risco S&P, por outro lado, elevou a nota do país. Na noite de quinta, ela havia rebaixado o rating para “default seletivo” e, após o governo Macri divulgar as novas datas de pagamento da dívida de curto prazo, elevou a nota ao patamar anterior.

Independentemente das avaliações das agências, parte do mercado já considera que o país está em default. Desde o resultado das eleições primárias, papéis do governo que valem US$ 1 e têm vencimento em 2023 são negociados por cerca de US$ 0,40. Números inferiores a 50% do valor de face de um título apontam para a necessidade de reestruturação da dívida.

O Credit Default Swap (CDS) da Argentina de cinco anos, espécie de termômetro do risco país, encostou em 4.200 pontos – o do Brasil operou em queda a 132 pontos. Antes das primárias, o CDS argentino era negociado em 900 pontos. O atual patamar argentino indica que os investidores estão considerando que a possibilidade de calote do país é superior a 85%.

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