Argentina inaugura novo regime cambial

A Argentina inaugura oficialmente hoje o novo regime cambial do dólar fixo em 1,40 peso e outro livre. Depois de 21 dias de feriado bancário parcial e cambial, os bancos reabrem suas portas das 10 às 15 horas com a ameaça de que "o atendimento normal ao público poderá ser falho e ter problemas devido à falta de tempo para que os bancos tomassem conhecimento das normas do Banco Central", justificou a Associação de Bancos da Argentina (ABA). O BC transmitiu as circulares às instituições bancárias somente depois das 20 horas (21 horas de Brasília).A Bolsa de Buenos Aires, que não opera desde a última sexta-feira por causa dos "enormes problemas para compensar cheques e todos os tipos de operações", decidiu manter suspensas as operações hoje. O objetivo seria estudar detalhadamente as resoluções do Banco Central, informou a assessoria de imprensa.Os representantes dos bancos travaram uma verdadeira batalha com o governo para que o feriado fosse prolongado até a próxima segunda-feira. Eles argumentavam que precisam instrumentar-se, detalhadamente, durante o fim de semana para o atendimento ao público. Porém, o presidente Eduardo Duhalde exigiu a reabertura do sistema financeiro, temendo um nova onda de protestos por causa do cronograma de devolução dos depósitos divulgado ontem. O presidente não conseguiu evitar seu primeiro panelaço, que ecoou por vários bairros de Buenos Aires até a Praça de Maio.O Ministério de Economia, no entanto, pediu à população que "não corra até os bancos, para evitar tumultos". Os bancos criticam o "alto grau de improvisação das normas do BC"Problemas com importaçõesAlgumas operações de importação poderão ser feitas pelo dólar oficial de 1,40 mas ainda não há uma decisão precisa sobre quais serão. O único que está certo é que a seleção será feita pela Secretaria de Indústria e Comércio. Está decidido apenas que o dólar oficial poderá ser usado para a compra de algumas matérias primas, bens intermediários e bens de capital. Nesta operação não entra o pagamento de serviços nem de bens terminados. Este é um ponto que preocupa os economistas porque são operações que consomem cerca de US$ 15 bilhões, que deverão ser gerados pelo mercado livre de câmbio, o que poderá provocar uma alta do dólar. (Ontem, o paralelo chegou a ser cotado a 1,80).Spread perigosoOs economistas alertam para o perigo de se ter um spread entre o câmbio oficial e o livre maior que 20%. "Este spread passará a ser o termômetro muito pior que o Embi plus", afirma o diretor geral do BNP Paribas Aset Management, Carlos Curi, referindo-se ao risco país. Um dos problemas decorrentes é o sub-faturamento das exportações e o super-faturamento das importações. Um operador de uma importante casa de câmbio portenha afirmou que "por enquanto, não há dólares suficientes para este mercado".Normas do BCA norma do Banco Central que regulamenta os dois tipos de câmbio na Argentina destaca que "o Banco Central poderá intervir no Mercado Livre de Câmbios quando considerar oportuno e necessário". Pela regulamentação, o horário de funcionamento deste mercado será o mesmo dos bancos, das 10 às 15 horas, mas o texto deixa uma dúvida sobre este ponto, dizendo que "o Banco Central habilitará horários especiais solicitados pelas entidades autorizadas a operar com câmbios". Os bancos e casas de câmbio serão obrigados a enviar um relatório diário e outro semanal, consolidado, ao BC, especificando todas as compras e vendas de dólares realizadas.Leia o especial

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