Argentina incentiva o consumo

Plano de crédito facilita a compra de carros populares

Ariel Palacios, BUENOS AIRES, O Estadao de S.Paulo

06 de dezembro de 2008 | 00h00

A ministra da Produção, Débora Giorgi, anunciou ontem detalhes do plano de estímulo para as montadoras argentinas, que envolve US$ 911 milhões. A intenção do governo é estimular a venda de 100 mil carros em 2009 e evitar que o setor automobilístico seja duramente atingido pelos efeitos da crise internacional, além do esfriamento acelerado do mercado interno. O plano entra em vigência amanhã e tem como contrapartida um esforço pela manutenção de empregos nas fábricas.As montadoras vão pôr dois modelos, os mais baratos de cada fábrica, à disposição do plano. São eles, Renault Clio e Logan, Peugeot 206 e Citröen C3, Corsa e Station Wagon (GM), Suran e Gol ( VW), Uno e Palio (Fiat), e Ford Ka e Focus (Ford). Alguns deles são fabricados no Brasil, como Uno e Ka. Segundo Débora, o plano "aumenta em 40% o estoque de crédito existente hoje na Argentina e vai facilitar a compra do primeiro automóvel zero quilômetro". Os veículos poderão ser pagos em até 60 meses, sem juros. A entrega do veículo só ocorrerá após um ano.A ajuda para o crédito equivale a US$ 8,8 mil. O restante do custo do veículo é de responsabilidade do consumidor. A idéia é que o plano estimule a compra de veículos com preços entre US$ 8,8 mil e US$ 14 mil. As parcelas oscilarão entre US$ 235 e US$ 250. "Os preços dos veículos serão muito atraentes", sustentou o secretário de Indústria e Comércio, Fernando Fraguío. Segundo ele, outro plano para utilitários e caminhões será anunciado em breve.Afetadas pela crise econômica, em novembro as vendas do setor automobilístico na Argentina despencaram 32,2% em relação a outubro, a maior queda em 5 anos. Até novembro, a venda de automóveis chegou a 576 mil unidades. Com a queda acelerada, o setor teme que 2008 possa ser encerrado beirando 600 mil unidades. A meta era de mais de 620 mil.Antes do anúncio do plano de estímulo, a perspectiva do setor era de vender 500 mil veículos em 2009. Graças ao plano, o volume pode subir para 600 mil. A perspectiva original para o ano que vem era de mais de 700 mil unidades. Ontem, Fraguío preferiu não especular sobre um número para 2009. "Faremos o possível para que as vendas tenham sucesso."As exportações, também atingidas pela crise internacional, registraram em novembro uma retração de 28,6% em relação ao mês anterior.

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