Argentina já considera elevar tarifas para facilitar acordo

O governo argentino voltou a considerar um aumento emergencial de tarifas de energia e gás, como um gesto de ?boa vontade? em atender algumas das exigências do FMI para facilitar as negociações iniciadas ontem, com vistas à assinatura do novo acordo com o organismo. Fontes do ministério de Planejamento informaram à Agência Estado que o ministro Julio De Vido decidiu reconsiderar a possibilidade de conceder os aumentos. Até então, o governo mantinha posição de só concedê-los após a revisão de todos os contratos com as empresas privatizadas de serviços públicos, um processo que seria concluído entre o final deste ano ou início de 2004. O recuo do governo se explica às dificuldades das negociações com o FMI, embora ambas partes afirmem constantemente a existência de um bom clima para se chegar ao acordo. Apesar das afirmações da equipe econômica de que as negociações estão bem encaminhadas, altas fontes do ministério de Economia tentaram hoje de manhã baixar os níveis de expectativa de que o acordo será assinado nas próximas semanas, como vem afirmando o ministro Roberto Lavagna. Em conversas com duas fontes da equipe envolvida na negociação, a AE apurou que, na reunião de duas horas realizada ontem entre o chefe da missão do FMI, John Dodsworth, e o secretário de Finanças, Guillermo Nielsen, foram colocadas na mesa de discussões muitas questões além do que se esperava desse primeiro encontro.Houve avanços sobre os principais pontos que deverão constar na carta de intenções da Argentina com o Fundo. A reestruturação da dívida é o mais importante deles, especialmente porque o próprio Nielsen admitiu que a apresentação oficial da oferta de renegociação aos credores será postergada. Em princípio, o secretário havia prometido apresentar a proposta no dia 23, em Dubai, durante a Assembléia anual do FMI e Banco Mundial. O atraso na apresentação desta proposta poderá dilatar as negociações com o FMI, segundo as fontes, porque o Fundo quer inclui-la na carta de intenções e considera o assunto uma condição básica para a assinatura do acordo. Um comunicado do organismo, enviado ao ministro da Economia, Roberto Lavagna, na última segunda-feira, reclamava ?avanços decisivos? na reestruturação da dívida. Conforme uma das fontes ouvidas pela AE, ?este assunto, bem como as demais exigências, são temas muito complicados para serem decididos em apenas três semanas?. Neste sentido, o ministério de Economia emitiu uma nota comprometendo-se a apresentar na assembléia do FMI/Banco Mundial, ?os principais delineamentos da reestruturação da dívida?, mas sem os detalhes, o que implica sutil diferença com o que foi prometido durante a última revisão do atual acordo. Na época, ficou acertada a apresentação de uma ?oferta concreta? aos credores, a partir da qual se iniciariam as negociações com eles. O ministro Roberto Lavagna está numa situação delicada, não só por causa do compromisso com o FMI, mas com o Congresso Nacional, já que setembro também é o mês em que o governo tem que enviar o Orçamento de 2004 para sua análise e aprovação. A proposta de reestruturação da dívida tem que constar obrigatoriamente do Orçamento, porque envolve os gastos com pagamento dos títulos.

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