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Argentina já gastou US$ 4 bilhões com crise de energia

O total desembolsado inclui subsídios ao consumo de eletricidade (pagamento às empresas de combustíveis para vender gasolina ao mesmo preço que o gás para automóveis) e importação de energia dos países da região

Ariel Palacios, do Estadão

22 de julho de 2007 | 20h56

A crise energética argentina - que assola o país desde maio - já custou US$ 4 bilhões aos cofres do Estado argentino, segundo indicou um documento de circulação reservada do Ministério da Economia, divulgado neste domingo, 22, pelo jornal Clarín. O total desembolsado inclui subsídios ao consumo de eletricidade (pagamento às empresas de combustíveis para vender gasolina ao mesmo preço que o gás para automóveis) e importação de energia dos países da região.   Neste quesito incluem-se a compra de diesel da Venezuela, gás da Bolívia e energia elétrica do Brasil, Uruguai e Paraguai. Os preços pagos pela Argentina a esses países foi substancialmente inferior ao do mercado interno. No total, a Argentina teria gasto US$ 700 milhões para comprar gás, eletricidade e combustíveis no exterior em junho.   O único vizinho ao qual o governo do presidente Néstor Kirchner não recorreu foi o Chile, país que a Argentina deixou a ver navios ao cortar quase que a totalidade das exportações de gás que realiza para seu mercado (o Chile é altamente dependente do gás argentino).   Os US$ 4 bilhões gastos às pressas pelo governo Kirchner, que até agora insiste em negar a existência de uma crise energética (o presidente e seus ministros, no máximo, admitem que ocorrem "problemas" energéticos), equivalem à metade do superávit fiscal que a Argentina acumulou entre junho de 2006 e o mesmo mês de 2007. A crise começou a prejudicar a imagem do governo, que está de olho na sucessão. Em outubro serão realizadas eleições presidenciais.   Os líderes da oposição e setores empresariais criticam o governo por não ter tomado medidas concretas para impedir a crise. Esta, anunciada desde 2004, finalmente explodiu neste ano por causa da disparada do consumo residencial, provocado pelas baixas temperaturas.   A empresa Cammesa (empresa que reúne empresas privadas mas que conta com 20% de participação estatal, que administra o sistema elétrico argentino) prevê que desembolsar US$ 730 milhões para as importações de diesel para as usinas termelétricas. Estas usinas, que normalmente funcionam à gás, tiveram que recorrer ao combustível líquido. O governo Kirchner redirecionou o gás para o consumo residencial e o racionou para as indústrias, comércios e usinas.   Brecada   Segundo o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), a queda da produção industrial em junho foi de 0,1% em relação a maio. Essa foi a primeira queda registrada em 22 meses de persistente crescimento na produção industrial. O Indec alega que a queda foi provocada por "fatores climáticos atípicos, conflitos sindicais e restrições energéticas em alguns setores industriais". Mas, os analistas indicam que a causa da queda foi a crise energética.   Em comparação com o mesmo mês do ano passado foi de 5%. Esta proporção é mais baixa que a média mensal desde o início do ano, de 6,6%.   A produção de fibras sintéticas e artificiais foi uma das mais afetadas, com uma queda de 67,1% em relação ao mesmo mês do ano passado. O setor de agroquímicos encolheu 28,5%. A produção de aço caiu 8,6%, enquanto que os laticínios despencaram 13,4% e já escasseiam nas gôndolas dos supermercados.   Alguns setores não tiveram um impacto negativo, mas registraram níveis de crescimento mornos. Esse foi o caso das usinas de açúcar, produtos farmacêuticos e bebidas. Na contra-mão, diversos setores indicaram aumentos em suas produções apesar da crise energética.   De forma geral, foram empresas que prepararam-se para a crise, com a compra e aluguel de geradores elétricos. Além disso, implementaram um sistema de turnos que permitiu-lhes não perder rendimento apesar da falta de energia. Esse foi o caso do setor automotivo, que registrou um crescimento de 29,7% em junho. As manufaturas de plástico cresceram 13,4%, enquanto que detergentes e sabonetes aumentaram 14,9%.   O Banco Santander considera que a queda na atividade industrial poderia provocar uma perda de 0,1% a 0,3% no crescimento do PIB neste ano.   Perdas   Segundo o Clarín, o setor industrial teria tido perdas de US$ 1,5 bilhão desde a última semana de maio, quando começou o racionamento de energia para as empresas. No total, 4.900 empresas sofrem fornecimento parcial de energia elétrica e de gás. Outras 300 empresas não contam com fornecimento algum.

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