Argentina libera bancos para devolver dinheiro retido

O ministério da Economia anunciou que os bancos que quiserem devolver total ou parcialmente a seus clientes o dinheiro retido dentro do "corralito" (semi-congelamento de depósitos bancários em vigência desde dezembro passado) poderão fazê-lo a partir dos próximos dias. Desta forma, o governo começará a se desembaraçar de uma das maiores dores de cabeça que enfrenta diariamente, já que o "corralito" é a maior fonte de origem dos protestos populares que acontecem todas as semanas nas ruas das principais cidades do país. Quase todos os dias, milhares de correntistas fazem panelaços na frente dos bancos ou dos edifícios governamentais, pedindo seu dinheiro de volta.A decisão do ministério da Economia já é oficial, e causou desagrado à maioria dos bancos instalados no País. Os bancos temem que os clientes das instituições financeiras que não optarem pela devolução dos depósitos aos correntistas intensifiquem seus protestos contras esse bancos. Para evitar este cenário, os bancos teriam que importar dinheiro de suas casas matrizes na Europa e nos Estados Unidos.Esta decisão está sendo encarada como uma manobra do governo para desvencilhar-se do problema, que ficaria quase que exclusivamente nas mãos dos bancos. Até o momento, somente uma instituição financeira, o Banco de la Ciudad de Buenos Aires anunciou que está disposta a entregar parte dos depósitos confiscados.Além disso, o ministério da Economia determinou que a partir de terça-feira os correntistas com o dinheiro retido dentro dos depósitos a prazo fixo poderão escolher entre manter o dinheiro nesses depósitos ou trocá-los por bônus. O prazo para a escolha será somente até o dia 16 de julho.Os bônus serão em dólares e pesos. Dois desses títulos serão na moeda americana, com prazos de 3 e 10 anos. O bônus em pesos terá prazo de 5 anos.Os bônus também poderão ser utilizados para a compra de bens do Estado argentino, como terrenos e edifícios. Além disso, os bônus poderão ser usados para a compra de automóveis e a construção de imóveis. O governo permitirá que estes títulos possam ser vendidos nos mercados, além de serem utilizados para cancelar dívidas bancárias, bem como para o pagamento de impostos.Quem optar por não trocar seus depósitos retidos pelo bônus, terá que esperar sua devolução, algo que o governo promete que aconteceria gradualmente a partir do ano que vem.Os bancos estão furiosos com o governo, já que eles pretendiam que a saída do dinheiro do "corralito" ocorresse somente através de uma troca dos depósitos por bônus, que fosse compulsiva. Esta também era a opção defendida pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Mas o governo do presidente Eduardo Duhalde preferiu optar por uma saída menos impopular, e decidiu por uma saída que combinaria a devolução voluntária dos depósitos por parte dos bancos, e a troca também voluntária dos prazos fixos por bônus.

Agencia Estado,

15 de junho de 2002 | 12h01

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