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Argentina libera do "corralito" conta corrente e poupança

Inesperadamente, o ministro da Economia, Roberto Lavagna, anunciou nesta sexta-feira a eliminação do corralito (congelamento de depósitos bancários). Lavagna disse que, a partir de segunda-feira, serão suspensas as restrições à livre disponibilidade de contas correntes e de cadernetas de poupança.O anúncio, que pegou os analistas econômicos de surpresa, foi feito poucos dias antes do primeiro aniversário do corralito, criado a 3 de dezembro do ano passado pelo então ministro da Economia Domingo Cavallo."Custou quase um ano para chegarmos até este ponto", suspirou Lavagna, durante uma entrevista à imprensa poucas horas antes de viajar à Europa, onde irá reunir-se com credores privados internacionais. Segundo ele, neste ano de congelamento bancário, "a sociedade argentina passou por grandes riscos, como o de uma hiperinflação".O corralito foi uma das principais causas da queda do governo do presidente Fernando de la Rúa (1999-2001) e da maior parte dos protestos populares ocorridos ao longo do último ano.Com o fim do congelamento ficarão livres, novamente, 21 bilhões de pesos (US$ 6 bilhões).Lavagna não acha que estes fundos serão destinados à compra de dólares, mas irão direto para o consumo. Imediatamente após o anúncio, os analistas econômicos sustentavam que o fim do corralito não teria um impacto econômico significativo. Mas representaria uma vantagem política importante para o débil governo do presidente Eduardo Duhalde.Apesar da eliminação do corralito, continua o corralón: criado em janeiro por Duhalde, ele congela os depósitos a prazo fixo. A medida envolveu os depósitos em dólares, que foram "pesificados" (transformados em pesos, numa cotação significativamente inferior).Mas, depois das boas novas, Lavagna trouxe más notícias para os argentinos. O ministro informou que já está pronto o projeto para o aumento das tarifas das empresas de serviços públicos privatizados. Os aumentos levarão em conta o nível econômico de cada família.Os setores mais pobres ficarão livres dos reajustes. A energia elétrica subirá 9% (42,3% dos usuários ficarão sem o aumento), enquanto o gás aumentará 7,2% gás (32% dos usuários não serão afetados).Uma alta fonte do Ministério da Economia disse ao Estado que as negociações com o FMI só continuam em andamento por causa das pressões que o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos faz sobre esse organismo financeiro.Segundo a fonte, a estratégia de castigar a Argentina em demasia pode fazer o feitiço virar contra o feiticeiro."O FMI castigou nosso país de forma exagerada por ter declarado moratória com os credores privados, em dezembro", disse. "Mas apesar disso, a Argentina ainda está aqui, de pé. O calote não é festejado, mas tampouco é visto como um fracasso. Isso pode inspirar outros países a declarar o default, já que poderiam ver que essa atitude não leva ao colapso nacional. O tiro pode sair pela culatra. E se Lula ficar no olho do furacão de uma crise que o leve a dar o calote? Tendo visto que não foi o fim do mundo para a Argentina, Lula poderia se inspirar a fazer o mesmo. E pelo temor de que isso aconteça, o Departamento do Tesouro dos EUA continua pressionando o FMI para que chegue a um acordo com a Argentina."

Agencia Estado,

22 de novembro de 2002 | 19h21

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