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Argentina manda YPF acelerar produção

Objetivo do governo é reverter a queda de produção de petróleo e gás dos últimos anos e mudar a imagem da administração estatal no país

ARIEL PALACIOS , CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2012 | 03h08

O ministro do Planejamento Federal, Julio De Vido, e o vice-ministro da Economia, Axel Kicillof, ordenaram aos diretores da expropriada YPF que aumentem a produção da empresa imediatamente. O plano é reverter a queda de produção de petróleo e gás da YPF nos últimos anos e mostrar a suposta eficiência do governo da presidente Cristina Kirchner nas empresas estatais.

Além disso, o governo pretende "mostrar serviço" na YPF, e assim reverter a má imagem que a administração estatal teve nos últimos anos no país. Um dos casos emblemáticos é o da companhia aérea Aerolíneas, que após a reestatização, há meia década, sempre fechou os anos com substanciais déficits.

De Vido e Kicillof, respectivamente designados pela presidente Cristina para o posto de interventor e vice-interventor da YPF, ordenaram a preparação de um plano para perfurar e reparar mais de mil poços de petróleo. Além disso, determinaram que a refinaria da YPF na cidade de La Plata, província de Buenos Aires, deverá aumentar sua produção em 8% de forma imediata.

Total. De Vido e Kicillof também anunciaram a abertura de negociações com a empresa francesa petrolífera Total, para ampliar a capacidade produtiva das jazidas de petróleo que a empresa possui em algumas áreas do país, em conjunto com a YPF. O plano do governo é aumentar em 2 milhões de metros cúbicos diários de gás a produção das jazidas nas áreas de Aguada Pichana e Aguada San Roque, na província de Neuquén. Ambas são responsáveis por 20% da produção de gás da Argentina.

Missão de paz. De Vido desembarcou ontem em Brasília com recados claros do governo argentino para transmitir ao ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e à presidente da Petrobrás, Maria das Graças Foster.

Primeiro, dirá que a investida oficial contra a Repsol não afetará a companhia brasileira. Segundo, que a estatal é fonte de inspiração para a nova YPF argentina, e por isso a presidente Cristina Kirchner gostaria de ter a Petrobrás entre as empresas associadas ao novo empreendimento.

De Vido vai reforçar o pedido de Cristina a Lobão, em fevereiro, para que a Petrobrás aumente seus investimentos no país vizinho. Um dos alvos do governo argentino seria a Refinaria Del Norte (Refinor), na qual a Petrobrás já detém participação minoritária (28,5%). Repsol-YPF tem 50% e Pluspetrol, 21,5%. Uma maior presença da Petrobrás seria uma forma de ajudar a Argentina. "A ideia é manter os atuais sócios, e que aumentem a presença nas companhias", disse uma fonte da Agência Estado.

A Petrobrás também divide participação com a Repsol YPF em outra empresa na Argentina, a petroquímica Mega, que produz derivados de gás natural usados como matéria-prima na indústria petroquímica. A Petrobrás detém 34%, a YPF 38% e a Dow Chemical, 28%.

A nacionalização de 51% da YPF e da YPF Gás na Argentina afeta o controle acionário dessas duas empresas, já que a nacionalização terá um efeito cascata de expropriação de todas as participações da Repsol em empresas no país. A Petrobrás no Brasil preferiu não comentar se a troca de controle acionário provocará efeitos na companhia brasileira.

Outro possível pedido de De Vido pode ser a participação da Petrobrás em exploração offshore (em mar). Há pelo menos três anos, já era discutida a possibilidade de uma parceria entre a Repsol-YPF e a Petrobrás Argentina, subsidiária da holding brasileira, segundo fonte da companhia. Os argentinos estariam interessados em formações geológicas semelhantes às da Bacia de Campos e gostariam de ter a expertise da Petrobrás, bem como sua capacidade de investimento. / COLABORARAM MARINA GUIMARÃES E SABRINA VALLE

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