Argentina mostra fidelidade ao Brasil sobre Alca

Embora as dúvidas que ainda possam existir em alguns setores no Brasil sobre a fidelidade argentina nas negociações da Alca, a mensagem clara que se escuta no governo do presidente Néstor Kirchner é a de uma aliança incondicional com o principal sócio do Mercosul. Apesar das pressões dos Estados Unidos e dos jogos de sedução para atrair a Argentina, o governo decidiu permanecer firme ao lado do Brasil nesta última cúpula anual das negociações da Alca, que ocorrerá durante toda a semana em Miami. Segundo uma alta fonte do governo, a decisão argentina foi amplamente discutida e acertada entre o chanceler Rafael Bielsa e o secretário de Negociações Econômicas Internacionais, Martín Redrado, sob as ordens do presidente Néstor Kirchner. Se por um lado, Bielsa sempre tenha mostrado sua prioridade pró-Mercosul, por outro, Redrado nunca escondeu seu estilo "Gerson" de levar vantagem em tudo. Ou seja, não importa quem seja o sócio, o importante é que a Argentina saia ganhando na negociação. Neste sentido, Redrado defendeu em várias ocasiões uma negociação bilateral entre Argentina e Estados Unidos.A fidelidade argentina se explica, basicamente, pelo interesse comum que compartilha com o Brasil de fortalecer o Mercosul antes de liberar a concorrência de setores como o de serviços. A delegação argentina viajou a Miami com o mesmo espírito do grupo brasileiro de negociadores: "o Mercosul não quer que a Alca fracasse, mas não estamos dispostos a assinar um acordo que prejudique os setores básicos de nossas economias, principalmente o agro e as regras antidumping, disse Redrado, antes de viajar. A idéia é dar liberdade de ação para que sejam feitos acordos bilaterais ou multilaterais nos temas onde não se consiga chegar ao consenso antes do dia primeiro de janeiro de 2005, data prevista para o fim das negociações.

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