Argentina muda cálculo da inflação e é criticada

O novo Índice de Preços ao Consumidor (IPC) do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) da Argentina foi apresentado hoje em meio aos protestos dos trabalhadores do órgão, que caiu em descrédito depois que passou a sofrer intervenção do governo federal. "O Indec está em meio a uma crise institucional sem precedentes, iniciada em janeiro de 2007 com a intervenção do IPC, e que se estendeu a muitos outros programas do Instituto (Pobreza e Indigência, Estimador Industrial, Contas Nacionais, Censo Agropecuário, entre outros)", afirmou um comunicado da comissão interna da Associação de Trabalhadores do Estado (ATE-Indec)."Os trabalhadores do Indec têm sido contra, de maneira decidida, à intervenção, em defesa da qualidade das estatísticas públicas oferecidas a toda a população há 17 meses", continua a nota. "O novo índice de preços ao consumidor é uma mentira". A nova metodologia usa somente 440 produtos e serviços, enquanto que a anterior pesquisava 818, com uma base de dados que abrange os últimos dez anos. Desta forma, o governo eliminou itens como viagens ao exterior ou gastos com serviços domésticos. Por outro lado, manteve os planos de saúde e a educação privada e mudou o peso de cada produto no índice para refletir a sazonalidade, as substituições dos consumidores e as mudanças de hábito no consumo. Até hoje se conhece pouco sobre a metodologia que está sendo utilizada. O governo apenas esboçou alguns detalhes durante um seminário, há um mês, mas pelo pouco que se sabe, os economistas já criticam o novo IPC, que considera somente os produtos e serviços usados pelas classes média e baixa.

MARINA GUIMARÃES, Agencia Estado

10 de junho de 2008 | 17h03

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