Argentina multa Petrobras por desabastecimento de diesel

Governo poupa Repsol YPF que controla 57% do mercado; Shell é multada

Agencia Estado

14 de junho de 2007 | 16h48

A Secretaria de Comércio Interior da Argentina anunciou na terça-feira, 12, que vai multar a Petrobras e a Shell pela falta de diesel nos postos de combustíveis do país. A decisão foi baseada na chamada Lei de Abastecimento e poderá obrigar a Petrobras a pagar multa de um milhão de pesos (R$ 637 mil). A Shell deverá pagar multa superior à da Petrobras, também por escassez do produto em sua rede de postos. Pela Lei de Abastecimento, o governo argentino poderá determinar ainda a prisão dos diretores da empresa, caso a falta do combustível continue sendo registrada pela fiscalização.A petrolífera hispano-argentina Repsol YPF ficou excluída das multas. A empresa controla 57% do mercado argentino de venda e, para satisfazer a alta demanda, pôs suas refinarias para trabalhar na capacidade máxima e até importouPetrobras negaA Petrobras rejeitou na terça-feira, através de uma nota oficial, o desabastecimento acusado pela Secretaria de Comércio Interior da Argentina. A Petrobras afirma que durante o mês passado entregou em todo o país 15% mais de diesel do que no mesmo mês do ano passado. Para junho, a projeção, segundo o comunicado, é de 13% a mais em relação ao mesmo mês de 2006.No dia primeiro de junho, quando já surgiam informações sobre a falta do produto no mercado interno argentino, a Petrobras divulgou uma mensagem nos principais jornais do país dizendo que sua produção estava no máximo para atender à demanda. No anúncio, ela explicava que o consumo subiu 5% no primeiro quadrimestre deste ano frente a igual período do ano passado. E que na mesma etapa ela aumentou em 10% a quantidade de diesel nos seus postos de gasolina no país. De acordo com assessores da Petrobras, no ano passado e neste também, a empresa importou pelo menos dois barcos de combustíveis para complementar sua produção, insuficiente para atender o consumo.Segundo fontes da empresa, a empresa possui cerca de 720 postos de combustíveis no país e responde por aproximadamente 13% do mercado de combustíveis argentino. Crise energéticaCom o aumento do frio, nos últimos dias, faltou gás e o governo do presidente Néstor Kirchner determinou que a prioridade do abastecimento fosse para o consumo doméstico. Na Argentina, os aquecedores são alimentados a energia elétrica (que também faltou nos dias de frio) e gás. Na opinião de diferentes economistas argentinos, a produção energética é insuficiente para o ritmo do crescimento econômico do país. Para o governo argentino, as empresas deveriam aumentar investimentos no setor para evitar escassez. Por isso, em março, o ministro do Planejamento, Julio De Vido, ameaçou a Petrobras, dizendo que seus contratos no país "seriam seriamente afetados" se ela não aumentasse seus investimentos na Argentina. Nesta terça-feira, assessores da Petrobras descartaram que a multa da Secretaria de Comercio Interior possa estar ligada a essas declarações de Julio De Vido.

Mais conteúdo sobre:
ArgentinaPetrobrasShell

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.