Argentina na expectativa com a reunião do FMI

Fontes do ministério de Economia afirmaram que o diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental, Anoop Singh, não desembarcará em Buenos Aires para finalizar o acordo com o governo argentino, como se chegou a prever na semana passada. Se estimava que Singh visitaria o país para reunir-se como os candidatos à presidência e formar um pacto à exemplo do que ocorreu no Brasil. Quem deverá viajar à Washington, no próximo dia 26, serão o ministro Roberto Lavagna, e seu secretário de Finanças, Guillermo Nielsen. Na ocasião, estará sendo realizada a Assembléia Anual do Fundo Monetário Internacional, quando o caso argentino será analisado. Amanhã, a Argentina será o tema de discussão entre Anoop Singh e o diretor gerente do organismo, Horst Köhler, e sua segunda, Anne Krueguer. A expectativa do ministério de Economia é a de que desta reunião saia uma posição mais clara e definida sobre o que o FMI quer acordar com a Argentina: ou um stand by mais amplo ou apenas a renegociação do vencimento das dívidas argentinas com o organismo. Nas reuniões que Singh manteve com o presidente do Banco Central, Aldo Pignanelli, e com o secretário de Finanças, Guillermo Nielsen, na semana passada, ficou claro que o principal entrave nas negociações hoje é a disputa entre os três Poderes que provoca uma série de medidas, tanto do Legislativo quanto do Judiciário, prejudiciais à política monetária. O enfoque principal são os amparos legais contra o "corralito" e a instabilidade política. Por isso, Anoop Singh quer avançar num acordo ao estilo que foi feito no Brasil, com pautas até maio do ano próximo (quando assumirá o novo governo) e com compromissos e apoio explícito por parte dos candidatos. Segundo uma das fontes ouvidas do ministério de Economia, o governo já começou os contatos "informais" com os principais candidatos para sondar a disposição de fazer um pacto de apoio com o FMI.No Ministério de Economia não se espera um "grande" acordo. A expectativa gira em torno do refinanciamento da dívida com o FMI de mais ou menos US$ 15 bilhões que vencerá até o final de 2003. Com isso, o Banco Mundial e o BID destravariam linhas de crédito para a Argentina que seriam usadas para o pré-financiamento das exportações e obras de infra-estrutura. Se estima que nos próximos dias, o FMI envie o rascunho do texto da Carta de intenções.Para complicar o cenário das negociações , a Justiça de segunda instância ditou uma nova sentença contra a pesificação dos depósitos. A matéria já tinha sido considerada inconstitucional pela justiça de primeira instância e agora está nas mãos da Corte Suprema de Justiça que vive uma verdadeira greve com o Executivo. A decisão da Corte sobre este assunto estará atrelada ao êxito do governo de abortar o julgamento de impeachment que o Congresso pretende fazer contra os juízes da Corte. Se o Executivo freiar a iniciativa de impeachment, provalvelmente a guerra entre os Poderes terá seu fim, e a inconstitucionalidade da pesificação não deverá ser confirmada. Porém, se o processo continuar, o governo ficará em sérios apuros com uma sentença de última instância considerando a pesificação inconstitucional. Por estas e outras, o FMI considera que não há a menor garantia de governabilidade na Argentina e, por isso, não valeria a pena assinar nenhum acordo com o atual governo.Entre os candidatos, há os que estariam dispostos a apoiar o pacto, como Carlos Menem (PJ-Partido Justicialista) , e os que descartam a proposta, como Elisa Carrió (ARI-Alternativa para uma República de Iguais). O líder das pesquisas, o também justicialista Adolfo Rodríguez Saá, foi taxativo : "Não estou disposto a aceitar as exigências do FMI", disse. Na mesma linha se encontram Néstor Kirchner e José Manuel de la Sota , outros Justicialistas. Leia o especial

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