Argentina não deve contagiar Brasil, diz economista europeu

O economista senior, Geert Noels, do Petercam, um dos maiores bancos europeus de investimento em Bolsa, afirmou à Agência Estado que a intenção do governo argentino de reestruturar a dívida externa com os credores privados, reivindicando sobretudo o perdão total dos juros acumulados desde a moratória de dezembro de 2001, não deverá contagiar o mercado internacional de forma negativa em relação ao Brasil. "O sentimento do mercado frente a posição econômica deste novo governo (presidente Lula) é muito positivo", diz Noels, ressaltando, entretanto, que o foco das atenções, no momento, está na valorização do euro e do yén frente ao dólar.As atenções do mercado estão voltadas para a reação menos intervencionista do Banco Central Japonês, que nos últimos anos vinha tentando desvalorizações de sua moeda em relação ao dólar, e não é o que estamos vendo nos últimos dias, observa Noels. Efeito dominóNa opinião do economista, o sistema "pode estar vivendo o começo de um efeito dominó", onde a primeira peça é o mercado japonês e a última, certamente, é o consumidor norte-americano, que deve manter em alta seu poder aquisitivo.A segunda peça do dominó, de acordo com Noels, é a flutuação do yuan chinês. Apesar dos EUA estarem reclamando a livre flutuação do yuan para sanear sua balança em conta corrente, Noels acredita que, se isso ocorrer, os câmbios na China poderão cair drasticamente. O economista diz que apesar da pressão por parte dos sócios comerciais, especialmente EUA e Japão, para que o yuan se valorize, caso a divisa flutue livremente, a economia chinesa poderá sofrer um forte baque, porque seu sistema bancário não está preparado para cobrir os riscos cambiais.Noels não descarta que o sistema esteja começando a viver um novo ciclo de ajustamentos. "Antes o endividamento dos países em desenvolvimento era a grande questão, agora vemos os Estados Unidos confrontados com a mesma situação vivida pelo Brasil anos atrás", afirma Noels. "E nenhum país pode se abster desta engrenagem globalizada", conclui.z

Agencia Estado,

23 de setembro de 2003 | 17h27

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