Argentina não deve eliminar barreiras do comércio com Brasil

Brasileiros reclamam que as barreiras favorecem a entrada dos produtos chineses e prejudicam os nacionais

Argentina não deve eliminar barreiras do comércio com Brasil,

10 de setembro de 2009 | 16h22

O governo da Argentina não pretende atender aos apelos do Brasil de eliminar as barreiras contra o comércio bilateral que estão sendo impostas desde outubro do ano passado, segundo fonte do Ministério da Produção. Durante a reunião da Comissão de Monitoramento do Comércio Bilateral, que está sendo realizada nesta quinta-feira, 10, em Buenos Aires, o subsecretário de Política e Gestão Comercial do Ministério de Produção, Eduardo Bianchi, defendeu a manutenção das medidas de "preservação da indústria nacional e dos empregos no país".

 

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A equipe de negociadores brasileiros, liderada pelo secretário executivo do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MIDC), Ivan Ramalho, argumenta que as barreiras favorecem a entrada dos produtos chineses e prejudicam os brasileiros. Mas a equipe de Bianchi, sob o comando da ministra Débora Giorgi, afirma o contrário. O argumento argentino é de que, nos primeiros oito meses de 2009, a aprovação das licenças não automáticas de importação por parte da Argentina "tem permitido que os produtos de origem brasileira preservem e, inclusive, aumentem sua participação no mercado argentino".

 

Segundo a fonte, "as licenças não automáticas atingem somente 6% das exportações brasileiras". Mas o governo brasileiro afirma que 14% da pauta exportadora para a Argentina foi afetada pelas medidas protecionistas do vizinho. A fonte argentina informou que, em relação aos produtos brasileiros sob regime das licenças não automáticas, o Brasil ganhou mercado mais que a China. "Em móveis de madeira, por exemplo, a China só exportou para a Argentina 25 mil unidades em julho, enquanto o Brasil nos vendeu 173 mil móveis", exemplificou a fonte.

 

No setor de calçados, também em julho, o Ministério de Produção liberou a importação de 1,1 milhão de pares brasileiros, enquanto aprovou 426 mil licenças de importação para os calçados de origem chinesa.

 

A fonte ressaltou que nestes dois casos houve um acordo entre os setores privados de ambos os países para "a autolimitação" das exportações brasileiras. "Nosso país está cumprindo com o compromisso de autorizar as licenças não automáticas de todos os setores que fecharam um acordo sobre os volumes a serem exportados", destacou.

 

Nas várias reuniões que estão sendo realizadas hoje, se encontram representantes dos setores de pneus, bicicletas, brinquedos, têxteis e laticínios. Bianchi e Ramalho devem conceder entrevista coletiva à imprensa no final do dia, segundo a assessoria de imprensa da Embaixada do Brasil.

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