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Argentina não deve olhar Brasil como competidor, diz Lula

Em visita ao país vizinho, presidente ressalta aliança estratégica entre países contra crise alimentar

Marina Guimarães, da Agência Estado,

04 de agosto de 2008 | 13h24

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira, 4, que a aliança estratégica entre Brasil e Argentina na produção alimentar é capaz de ajudar a resolver o problema da falta de alimentos no mundo e que não desistiu de retomar a Rodada Doha.  Veja também:Os problemas que levaram as negociações ao fracasso Principais datas que marcaram a rodadaEntenda a crise dos alimentos   Na abertura do seminário de empresários brasileiros e argentinos, em Buenos Aires, para discutir a integração produtiva, Lula afirmou que "o empresário argentino não deve olhar para o Brasil como um país competidor. "Tem que olhar como um mercado consumidor de 190 milhões de consumidores", disse.  E o Brasil, por sua vez, "tem que olhar para a Argentina como um potencial de consumo de 40 milhões", acrescentou. "Mas o mais importante é que a somatória de todos é que somos 230 milhões de habitantes e, possivelmente, os únicos fora dos países grandes que têm competitividade e, certamente, levam vantagem no setor agrícola", enfatizou Lula para uma platéia com cerca de 800 empresários de ambos os países. Neste sentido, Lula disse que quando se fala em crise de alimentos, "alguns países podem ficar preocupados, e penso que a Argentina e o Brasil podem ver com certa preocupação, mas principalmente como uma oportunidade histórica de nos transformarmos em países para oferecer alimentos não só para nossa população mas também para fora". Mercosul O presidente fez um claro discurso em defesa da integração da América do Sul a partir de uma aliança do Brasil e da Argentina. Em seu discurso, ele afirmou que "uma Argentina industrializada fortalece o Brasil, o Mercosul e o projeto sul-americano". Para tanto, o presidente destacou a necessidade de gerar medidas "para reformar o círculo virtuoso". Lula disse que "o Brasil continua apostando na Argentina, em seus trabalhadores e em seu governo". Mas ressaltou a necessidade de "fortalecer as pequenas e médias empresas como verdadeiros motores de integração entre os países". O presidente afirmou que busca "avançar na coordenação de políticas públicas" e, para tanto, é preciso "estar atento às possibilidades dos setores estratégicos". "Necessitamos conversar mais, diminuir burocracia na Argentina e no Brasil, que tudo flua com mais facilidade, e não permitir que os interesses individuais de um setor freiem acordos estratégicos", afirmou Lula, diante da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, e da platéia de aproximadamente 800 empresários.  Cristina, por sua vez, destacou o "momento especial" da relação entre os dois países, em "uma etapa de crescimento e uma comunhão poucas vezes vista". Cristina disse que "há uma visão comum sobre a necessidade deste vínculo estratégico produtivo, que tem o objetivo de aprofundar as transformações, que ambos os países estão experimentando". "Devemos aproveitar uma oportunidade única que nos apresenta, como aliança bilateral e como Mercosul, diante de um mundo que muda cada vez mais de forma acelerada", completou a presidente argentina. "Por fim, nos demos conta que necessitávamos nos unir, articularmos inteligente e modernamente", enfatizou. Doha A diferença marcante entre o discurso dos dois presidentes foi a visão mais abrangente de Lula sobre a integração entre os países ao se referir sobre as negociações multilaterais. "Nas negociações multilaterais, temos que saber o que é que nos propõe do outro lado e o que devemos dar, o que cada um pode negociar para não desperdiçar essa fantástica oportunidade de uma Argentina em crescimento", disse, em clara alusão às diferenças entre os dois países durante as negociações no âmbito da Rodada Doha. Lula, por outro lado, lembrou Cristina que, por serem os maiores produtores agrícolas entre os países em desenvolvimento, a falta de um acordo na Organização Mundial de Comércio (OMC) não afetaria tanto a Argentina e o Brasil, mas sim os países que precisam incentivos para produzir. O presidente também destacou suas iniciativas com os líderes dos países desenvolvidos no sentido de destravar as negociações politicamente, já que a decisão que faltava era política e não técnica.  Para Lula, o fracasso das negociações em Genebra aconteceu por pura falta de interesse político dos grandes líderes para superar as dificuldades. Ele contou que há dois anos falou várias vezes com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, com o ex e atual presidente da França, Jacques Chirac e Nicolas Sarkozy, respectivamente, com a chanceler alemã Angela Merkel, entre outros, para dizer que era necessária uma decisão política deles para destravar as negociações.  "Nossos técnicos já tinham esgotado a parte técnica e feito tudo o que podia ser feito. A questão é política porque, afinal, é época de eleições nos Estados Unidos e na Índia. E em tempos de eleição é difícil tomar decisões, principalmente na questão agrícola porque tem muitos interesses políticos", justificou. O presidente Lula, no entanto, voltou a afirmar que não desistiu da Rodada Doha. "Eu não estou desanimado e vou continuar teimando para conseguir um acordo porque acho que se não concluirmos com um acordo em Doha, possivelmente Argentina e Brasil não sofram tanto, mas os países pobres que precisam ser incentivados a produzir alimentos e para produzir alimentos precisam ter os mercados dos países ricos abertos, eles não vão produzir alimentos e as pessoas vão continuar passando fome", explicou.

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