Argentina não tem data para voltar a exportar trigo

O governo da Argentina não tem previsão de quando as exportações de trigo serão normalizadas, apesar da liberação, ontem, de 100 mil toneladas para o Brasil. O secretário de Relações Econômicas Internacionais da chancelaria argentina, embaixador Alfredo Chiaradia, avaliou que enquanto houver problemas internos em seu país, as exportações do grão serão deixadas em segundo plano. "Quem tomou a medida de suspender as exportações considerou que é menos grave o déficit comercial com o Brasil do que a situação interna de abastecimento", explicou o embaixador durante entrevista coletiva a jornalistas estrangeiros em Buenos Aires.Chiaradia recordou que a suspensão das exportações faz parte de uma política interna que privilegia o abastecimento doméstico com preços acessíveis para a população. Nesse sentido, para o governo de Cristina Fernández de Kirchner é mais importante abastecer seu mercado que impedir o aumento do déficit comercial de US$ 4 bilhões com o Brasil. Os principais produtos exportados da Argentina para o mercado brasileiro são os automóveis e o trigo. Se o país continuar exportando menos trigo ao sócio do Mercosul, esse déficit será ainda maior em 2008. Indagado sobre se a Argentina não teme perder o mercado brasileiro para o Canadá ou os Estados Unidos, já que são fornecedores mais estáveis, Chiaradia foi pragmático: "A credibilidade é um valor importante, mas o preço vale mais". Segundo sua opinião, quando o país normalizar o mercado local de trigo, a Argentina voltará a ser o único fornecedor do cereal ao Brasil, já que o preço é mais baixo que o do produto importado dos Estados Unidos e do Canadá. Ele também reconheceu "o efeito colateral" que a instabilidade no fornecimento de trigo argentino provoca no Brasil, com o aumento da inflação. No entanto, o secretário fez a ressalva de que "os preços não sobem só por causa do trigo argentino, os preços sobem por uma série de fatores, mas é certo que o pãozinho que o brasileiro come pode estar mais caro".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.