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Argentina negocia acordo com FMI, diz Lavagna

O ministro da Economia da Argentina, Roberto Lavagna, anunciou hoje a negociação de um acordo transitório para evitar a inadimplência com organismos multilaterais de crédito como o Banco Mundial, a quem o País deverá pagar US$ 800 milhões no dia 10 de maio. Segundo Lavagna, este acordo será realizado para habilitar crédito ou dar um prazo maior, de 30 dias, para que a Argentina honre seu compromisso até que termine de implementar as medidas acordadas com o FMI ou então fechar um acordo com o Fundo. Lavagna explicou que o acordo transitório só será possível porque neste período se estará iniciando o o cumprimento das exigências feitas pelo FMI, como a votação das mudanças na lei das falências e concordatas e o encaminhamento da revogação da lei de subversão econômica - esta considerada de mais difícil negociação -, além da assinatura de acordos bilaterais com cada uma das províncias sobre o ajuste fiscal. Lavagna afirmou também que o acordo transitório poderá envolver alguns países e o próprio FMI. Perguntando pela Agência Estado se o Brasil está entre estes países, Lavagna respondeu que não poderia dar detalhes e apenas contou que fala constantemente com ministro brasileiro Pedro Malan. "E, como sempre, o Brasil, que é nosso sócio estratégico (repetiu duas vezes esta expressão), tem demostrado claro entendimento da situação argentina e dado apoio estratégico internacional", afirmou Lavagna. Uma fonte do governo argentino confirmou à AE que Lavagna está negociando uma ajuda do governo brasileiro. A fonte não soube precisar, porém, se o Brasil concederia esta ajuda. FMI com limitesRoberto Lavagna defendeu a negociação da Argentina com o Fundo Monetário Internacional, ao mesmo tempo em que fez a ressalva de que o governo não aceitará toda as receitas do FMI. Ele disse que "a forma de reinserir a Argentina na comunidade internacional é passando pelo FMI e não se pode negar uma negociação desta natureza, o que não significa aceitar todas as coisas exigidas". Lavagna fez coro aos economistas que têm criticado as gestões do FMI, principalmente no que diz respeito à atuação durante as crises financeiras internacionais, ao dizer que o organismo deveria refletir sobre seus erros nos últimos anos e corrigir alguns rumos. Lavagna criticou o FMI em outros dois momentos durante a entrevista que concedeu à imprensa internacional em Buenos Aires. Disse que o primeiro acordo bilateral para ratificar o compromisso de ajuste fiscal com as províncias já poderia ter sido assinado, com a província de Salta, mas isso não ocorreu porque os "funcionários do Fundo pediram o texto do acordo para revisar", contou, completando que desta vez quem está atrasando o andamento das negociações é o FMI. Lavagna comentou que conversou com a número dois do FMI, Anne Krueguer, com quem ratificou o compromisso de "acelerar a implementação das medidas solicitadas, com vistas à assinatura do acordo". Porém, o ministro disse que não se falou em datas. A outra crítica foi uma estocada indireta no chefe da missão, Anoop Singh. Roberto Lavagna disse que prefere manter as missões técnicas do que a negociadora, para "baixar a exposição política que não convém à negociação", numa referência à ênfase política que Anoop Singh tem dado a suas visitas à Argentina. Uma divergência a mais com Anoop Singh ficou exposta quando o ministro de Economia defendeu a vigência das moedas paralelas, em formas de bônus provinciais. "As moedas paralelas são uma manifestação de um sistema que fracassou e deixou as províncias com duas opções: o colapso total ou a criação de um sistema para continuar funcionando", justificou. "O que um vê como um movimento caótico, nós vemos como um mecanismo imprescíndivel frente à incapacidade do governo de fazer política pública". Anoop Singh se manifestou em diversas ocasiões bastante crítico às moedas paralelas, considerando-as ?caóticas?. Sobre a dívida externa, Roberto Lavagna confirmou que o assunto será tratado somente após a negociação com o FMI, mas admitiu que poderá haver uma perda de capital. "É possível que haja uma perda para os credores e os mercados já aceitam esta possibilidade", afirmou.Leia o especial

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