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Argentina negocia com FMI condições para auditoria anual

Governo argentino 'quer ter o direito de réplica' antes da divulgação dos números da revisão das contas

Marina Guimarães, da Agência Estado,

05 de outubro de 2009 | 13h14

O ministro de Economia da Argentina, Amado Boudou, negocia nesta segunda-feira, 5, com o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, os detalhes da auditoria que o país já anunciou estar disposto a ser submetido. O governo argentino "quer ter o direito de réplica" antes da divulgação dos números da auditoria do organismo.

 

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Há três anos que a Argentina não permite aos técnicos do Fundo o acesso aos números de sua economia. Agora, o governo tenta fechar um acordo com o órgão, como parte de sua estratégica de voltar ao mercado internacional de crédito, de onde está fora desde o default de dezembro 2001.

 

Em Istambul, onde participam da Assembleia Anual do FMI e do Banco Mundial (Bird), o ministro argentino e o presidente do Banco Central do país, Martín Redrado, terão vários encontros com Strauss-Kahn. Fontes da equipe econômica confirmaram que a postura argentina é de "fechar um acordo leve", que habilita a revisão anual da economia que o FMI realiza em todos os países-membros da instituição, conforme determina o artigo IV de seu estatuto.

 

Mas o governo argentino quer impor a condição de que essa revisão da economia local não seja acompanhada por opiniões ou julgamentos de valor que possam ser interpretados como recomendações vinculantes ou condicionadas à política econômica. Além disso, Boudou defende que a auditoria não seja publicada.

 

Estados Unidos

 

As declarações de funcionários do FMI e do Tesouro dos Estados Unidos indicam que o organismo terá uma posição dura nesta negociação. Ontem (04), em Istambul, o diretor do Departamento Ocidental do FMI, Nicolás Eyzaguirre, afirmou que a Argentina "tem a obrigação" de permitir a revisão de sua economia.

 

E deu a entender que sem esse acordo, o país se manterá isolado da comunidade internacional e, portanto, dos investimentos. "A Argentina terá um crescimento baixo por falta de acesso aos mercados internacionais", disse ele. Eyzaguirre destacou que a revisão "é uma oportunidade para o país, mas também é sua obrigação, conforme o Artigo IV".

 

Além disso, opinou que é "muito estranho que a Argentina participe das conversações do G-20 e do FMI, e conheça a política econômica dos outros países, mas não exponha a sua". Para suavizar as declarações durante entrevista coletiva à imprensa, ele disse que a revisão tem o objetivo de avaliar "a sustentabilidade da política argentina (...) de caráter técnico, não político".

 

E completou: "Não queremos ser intrometidos." Mas o secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, deixou clara a sua opinião: "É importante que os países permitam a publicação das revisões anuais do Artigo IV." Segundo ele, a transparência é chave para que o FMI seja eficaz em tarefa de supervisão.

 

A mensagem foi interpretada como um aviso à Argentina de que seu propósito de permitir a revisão, mas não a sua publicação, pode até ser aceito pelo estatuto do organismo, mas não é bem-visto pela comunidade financeira internacional. Uma das fontes da equipe econômica disse que a primeira revisão só deve ocorrer no primeiro trimestre de 2010.

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