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Argentina negocia voltar ao FMI, mas impõe condições

O ministro de Economia da Argentina, Amado Boudou, reconheceu que o governo "busca restabelecer a relação" com o Fundo Monetário Internacional (FMI) por ordem da presidente Cristina Kirchner. Boudou disse que, a partir desta orientação presidencial, vai negociar as condições de regresso da Argentina ao FMI, mas esclareceu que o organismo não realizará auditorias nas contas do país e sim "um intercâmbio de informações". A dívida argentina com o FMI foi quitada pelo ex-presidente Néstor Kirchner no final de 2005. Boudou também destacou, em uma entrevista a um canal de TV local, ontem à noite, que o governo não pretende pedir empréstimos ao FMI para "pagar salários, como fizeram governos anteriores".

MARINA GUIMARÃES, Agencia Estado

31 de agosto de 2009 | 15h45

Boudou vai se reunir amanhã com o analista chefe do FMI, Oliver Blanchard, para avançar nas conversas sobre o retorno da Argentina ao mercado de capitais. O objetivo do ministro não consiste só em obter um crédito do organismo para reforçar o caixa nacional, mas também em abrir o caminho para regularizar a situação da Argentina com o Clube de Paris, com quem mantém uma dívida em default de mais de US$ 6 bilhões.

O diretor-gerente do FMI, Dominque Strauss-Kahn, enviou uma carta à presidente Cristina Kirchner, na qual manifesta o desejo político do organismo de colaborar com a Argentina, segundo Boudou.

O problema é que o FMI exige, como contrapartida de um acordo stand by, o monitoramento das contas públicas e demais indicadores do país. Além disso, sugere que o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) normalize e dê transparência aos seus índices oficiais. Nenhuma das duas exigências são bem-vistas pela Casa Rosada. Cristina não aceita uma revisão financeira das contas públicas por parte do FMI e também não admite que há manipulação de índices pelo Indec.

Os países membros do FMI são obrigados a receber, anualmente, uma missão técnica, que tem acesso a todos os números do país, os quais fazem parte, posteriormente, do relatório denominado World Economic Outlook. Desde o final de 2005, quando o ex-presidente Néstor Kirchner, que foi sucedido por sua mulher Cristina, decidiu quitar a dívida argentina com o FMI, o governo não aceita a auditoria do organismo nas contas do governo.

O presidente do Banco Central, Martín Redrado, por sua vez, deixou claro, nesta manhã, que após a crise internacional, o país deve "aumentar os esforços" para evitar uma nova crise. Segundo ele, "a crise internacional provocou respostas de política econômica tão agressivas como necessárias", mas destacou que "usar bem esta oportunidade permitirá potencializar nossa inserção mundial".

Durante um seminário realizado hoje pelo BC, Redrado sugeriu "aprofundar as políticas para enfrentar as mudanças no contexto externo e evitar que ocorra uma próxima crise, que o argentino teme devido às recorrentes crises que o país enfrenta a cada período de seis a sete anos".

A Argentina sofreu uma dura crise que levou ao não pagamento da dívida em dezembro de 2001. A partir do final de 2002, o país retomou o caminho do crescimento e registrou taxas de aumento do PIB de 8% anuais. Porém, desde o último trimestre de 2008 o PIB do país tem caído, enquanto que nos mercados aumenta a desconfiança sobre a capacidade de pagamento da dívida da Argentina.

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