Argentina pagará somente juros da dívida com Bird

O chefe de gabinete da Presidência da Argentina, Alfredo Atanasof, confirmou o envio de US$ 77 milhões ao Banco Mundial para pagar os juros da dívida que vence hoje e evitar a moratória. Desta forma, Atanasof confirma informações antecipadas pela Agência Estado de que o governo argentino estava pensando em pagar somente uma "parcela simbólica" da dívida de US$ 805 milhões de dólares que vence hoje com o Bird. A decisão foi tomada logo após a reunião que o ministro Roberto Lavagna teve com o Banco Mundial, e uma teleconferência com o presidente Eduardo Duhalde.Em comunicado oficial, além de confirmar o envio de US$ 77 milhões ao Bird, o governo argentino explica que "o nível de reservas do país impede o pagamento total das quotas, já que ficariam abaixo da cifra que o FMI recomenda para manter a solidez do programa monetário". O comunicado também afirma que a intenção do governo é "continuar com as negociações com os organismos multilaterais de crédito" e diz ainda que "com o pagamento dos juros dos atuais vencimentos, a Argentina pretende continuar as negociações para um acordo definitivo com o FMI, evitar a moratória e tomar o tempo necessário para avaliar as bases do acordo na próxima reunião do presidente com os governadores provinciais" marcada para a próxima semana. Desta forma, o governo tenta emitir o sinal de que com a reunião dos governadores poderá encontrar o consenso político tão reclamado pelo FMI.O analista Rafael Ber, da consultoria Argentina Research, disse que o momento é de tensão e que o mercado poderá ter a percepção de que a curto ou médio prazo a Argentina entrará em moratória com os organismos internacionais. "A Argentina já pagou quase US$ 4,5 bilhões e já demora dez meses em negociação. Se não há certeza de que o acordo será feito, a Argentina não deve colocar em risco suas reservas para fazer estes pagamentos", disse o analista.MecanismosO Banco Mundial não possui mecanismos que permitam pagamentos parciais ou "simbólicos" nem prorrogação especial após os 30 dias de atraso de um vencimento, como ocorreu com a parcela de US$ 805 milhões, cujo vencimento original foi no dia 15 de outubro passado. O que venceu nesta quinta-feira foi a prorrogação de 30 dias prevista pelo Bird. As penalidades por não pagar aumentam de acordo com o tempo. A partir de agora, o governo terá que pagar taxas de juros maiores e multas até o dia 29 de novembro, a próxima data-chave para a Argentina.Depois de 45 dias de atraso, nenhum devedor manterá suas condições de receber qualquer tipo de empréstimo do organismo. Também seria cancelado o empréstimo de US$ 600 milhões destinados aos planos sociais. Se transcorridos 60 dias sem o pagamento, serão suspensos todos os desembolsos dos empréstimos vigentes e somente serão restabelecidos com o pagamento total da dívida.Atanasof, no entanto, insiste em afirmar que a decisão do governo argentino de pagar só U$S 77 milhões sobre um total de U$S 805 milhões não implica em moratória. Segundo ele, o processo de moratória "leva pelo menos seis meses" e o governo está tranquilo e seguro de sua decisão. Atanasof voltou a afirmar que "está muito perto de alcançar um acordo técnico" com o FMI para postergar todos os vencimentos da dívida.Ele confirmou também que o governo tentará obter o consenso político pedido pelo FMI na próxima segunda-feira, na reunião com os governadores. Porém, reiterou que o presidente Eduardo Duhalde não fará nenhum movimento para reunir os pré-candidatos à Presidência para conseguir este apoio político. O governo argumenta que o país ainda não conta com candidatos, somente pré-candidatos.

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