Argentina passa o Brasil e ocupa posto de maior carga tributária da AL

No entanto, País é o segundo maior pagador de impostos da região, com o equivalente a 36,3% do PIB em dispêndios anuais

Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

20 de janeiro de 2014 | 12h58

LONDRES - O Brasil perdeu o incômodo título de maior carga tributária da América Latina - mas continua com números ruins, na segunda posição. Os maiores pagadores de impostos da região agora são os argentinos. A fatia de impostos na economia argentina fechou o ano em 37,3% do PIB (produção de bens e serviços). No Brasil, o indicador ficou em 36,3% do PIB.

A carga tributária do Brasil cresceu em 2012 e está acima da média da América Latina. Supera inclusive a média dos países ricos. Levantamento divulgado nesta segunda-feira pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), organização que reúne os países desenvolvidos, mostra que a carga tributária brasileira continuou crescendo em 2012.

Em apenas um ano, o peso dos impostos no total da economia aumentou 1,4 ponto porcentual. Esse foi o terceiro ano consecutivo de aumento da carga tributária brasileira, que aumentou 3,7 pontos porcentuais do PIB desde 2009. Na comparação com 1990, o avanço é ainda mais expressivo: 8,1 pontos.

Apesar de a carga tributária brasileira continuar crescendo, o Brasil perdeu o posto de maior carga tributária da região porque a Casa Rosada apertou o contribuinte argentino mais fortemente que o movimento feito pelo Ministério da Fazenda no Brasil.

Em 2012, a carga tributária do país vizinho cresceu 2,6 pontos. Além de sofrer com uma das maiores inflações da América Latina, a Argentina também tem registrado forte aumento dos impostos e a carga tributária mais que dobrou nos últimos anos. Em 1990, o indicador estava em 16,1% do PIB e, desde então, subiu expressivos 21,2 pontos porcentuais, segundo a OCDE.

No relatório, a OCDE diz que a arrecadação de impostos está "aumentando consideravelmente" em todos os países da América Latina. "Este crescimento é reflexo das condições macroeconômicas mais favoráveis, assim como das mudanças de desenho dos sistemas tributários e do fortalecimento das administrações tributárias", diz o estudo divulgado em Paris e Santiago.

Enquanto países como Argentina e Brasil registram aumento expressivo na carga tributária nas últimas décadas, o mesmo fenômeno não acontece nos países mais ricos do mundo.

"A tendência vista na América Latina contrasta com a registrada nos países da OCDE, cuja proporção entre impostos e PIB tem permanecido relativamente estável, já que em 2011 estava em 34,1% do PIB, menos de um ponto porcentual acima do patamar de 1990", diz a entidade.

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