FELIPE MORTARA/ESTADÃO
FELIPE MORTARA/ESTADÃO

Argentina pede para FMI antecipar socorro financeiro

Anúncio feito por Macri de que ajuda financeira será adiantada não surte efeito e dólar bate novo recorde no país, terminando o dia com alta de 8%

Victor Rezende, O Estado de S.Paulo

29 Agosto 2018 | 21h01

A Argentina voltou a enfrentar, nesta quarta-feira, 29, uma corrida contra sua moeda. O dólar bateu novo recorde no país, subindo 8% e encerrando o dia a 34,50 pesos. A disparada da moeda ocorreu depois de o presidente Mauricio Macri anunciar que pediu ao Fundo Monetário Internacional (FMI) um adiantamento do pacote de ajuda financeira, negociado em junho.

 Macri não especificou o valor pedido, disse apenas que será antecipado “quanto for necessário para garantir o programa financeiro” de 2019. O pacote total fechado com o FMI é de US$ 50 bilhões. “Tivemos mostras de falta de confiança nos mercados, especificamente em relação à nossa capacidade de conseguir financiamento para 2019. Por isso, fechamos um acordo com o FMI para adiantar os fundos”, disse Macri.

O anúncio, porém, não surtiu efeito e o dólar voltou a subir, obrigando o Banco Central argentino a oferecer US$ 300 milhões, com o mercado tomando todo o montante.

Para o economista-chefe do BTG Pactual na Argentina, Andres Borenstein, o anúncio de Macri foi positivo, pois deu garantias de que o governo terá recursos em 2019. A desvalorização da moeda poderia ser, explica ele, consequência dos ruídos que um pedido de ajuda ao FMI geram na população. “As coisas não iam tão mal. Mas hoje muitos argentinos voltaram a comprar muito dólar”, disse.

Na avaliação do diretor da consultoria EcoGo, Martín Vauthier, faltaram mais detalhes no anúncio e não há clareza nos mercados sobre a trajetória que será seguida. “A situação é uma mescla de desconfiança, de incerteza sobre o que será a política econômica.”

A Argentina é um dos países mais afetados pela valorização do dólar no mercado internacional. O movimento já obrigou Macri a pedir socorro ao FMI e a trocar parte de sua equipe econômica – caíram o presidente do Banco Central e o ministro da Produção. O BC também acabou elevando sua taxa básica de juros de 27,5% para 45%.

“Todos esperávamos que, depois do FMI, o mercado fosse se acalmar. Não foi o que aconteceu. Houve aí um pouco de azar também, porque, pouco após a ajuda do FMI ser anunciada, veio a crise turca”, disse Borenstein, que projeta uma retração de 1% no PIB neste ano.

Além da crise econômica e da desvalorização do peso, uma greve geral marcada para o fim deste mês e o aumento do risco país pressionam Mauricio Macri. / LUCIANA DYNIEWICZ E GABRIEL BUENO DA COSTA

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