Argentina pode atender hoje exigências do FMI

O governo poderá completar hoje uma das exigências do Fundo Monetário Internacional: a assinatura da província de Santa Fé ao pacto fiscal para reduzir o déficit em 60%. O governador Carlos Reutemann deverá assinar o acordo, completando assim o trio das grandes províncias: Buenos Aires, Córdoba e Santa Fé, que concentram a maior porcentagem do déficit das 24 províncias argentinas. Os detalhes do acordo que envolveu o pagamento de parte da dívida da União com a província foram fechados ontem à noite e, hoje de manhã, Reutemann deverá viajar para Buenos Aires.Além de reduzir o déficit, a província não poderá emitir bônus (Santa Fé é uma das poucas que até o momento não emitiu papéis-moeda), e deverá continuar renegociando sua dívida por conta própria. Antes da desvalorização, a dívida santafesina era de 1,350 bilhões de pesos. A metade está em dólares. A União deve 400 milhões de pesos a Santa Fé. O presidente Eduardo Duhalde se compromete a começar a pagar o que deve e também a restituir um crédito de 180 milhões de dólares, concedido pelo Banco Mundial (BIRD), e que ficou retido devido à crise financeira e institucional ocorrida a partir de dezembro do ano passado.Missão de notáveis chegará dia 22Apesar da pressão dos bancos para que o ministro de Economia adote uma troca compulsória de depósitos por bônus para resolver o problema da retirada de recursos aos poucos do "corralito", nenhuma medida deverá ser adotada antes do dia 22 de julho. Nesta data estará chegando à Buenos Aires a comissão de experts internacionais que tratará do problema financeiro do país.No próximo dia 16 de julho, o governo saberá se o plano de Roberto Lavagna foi mesmo um fracasso, como está prevendo o próprio ministro, devido à falta de interesse dos depositantes que preferem ter seu dinheiro "perdido" para os bancos do que ter um papel de um Estado falido. No entanto, enquanto a comissão não define como será a reestruturação financeira e bancária do país e não encontram uma solução eficiente para o "corralito", o Ministério de Economia já está trabalhando no desenho de outros planos alternativos, conforme confessa uma alta fonte da secretaria de Finanças que faz questão de destacar o que o ministro Lavagna não abre mão: qualquer saída tem que ser voluntária. O ministro trava uma luta com os bancos que já começaram a mobilizar-se no Congresso Nacional para tentar uma lei que torne a troca de bônus compulsória. Se o projeto vingar, o ministro cai, diz uma fonte do Partido Justicialista que é a favor da posição dos bancos.Recorde no índice de desempregoO índice de desemprego na Argentina deverá atingir o recorde de 23% em maio passado, segundo as estimativas do próprio governo que serão divulgadas na próxima quinta-feira, dia 25, com base no levantamento feito pelo INDEC-Instituto Nacional de Estatísticas e Censos.Pelos cálculos da ministra do Trabalho, Graciela Camaño, o desemprego ficará abaixo de 25%. Os números que circulam nos corredores do gabinete presidencial giram em torno de 23%, conforme fontes da Casa Rosada. O recorde anterior do desemprego no país foi registrado em maio de 1995, quando o nível alcançou a casa dos 18,4% da população ativa, durante o governo de Carlos Menem. Estes 23% de desemprego significam 3 milhões de pessoas sem trabalho. Outros 3 milhões vivem de sub-empregos ou os famosos "bicos" que na Argentina são chamados de "changas", um termo mais usado pelos paraguaios que vivem no país. São cifras recordes, já que estes 6 milhões de pessoas com problemas de trabalho representam 40% da população ativa da Argentina. Os números poderão ser ainda piores se o projeto do governo de aumentar os salários do setor privado em 100 pesos for levado adiante. Segundo os cálculos da Fundação de Investigações Econômico Latino-Americanas (Fiel), a taxa de desemprego poderia passar da casa dos 25%.Leia o especial

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