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Argentina pode entrar em recessão

Para analistas, economia pode se contrair até 3% no próximo ano; segundo Cristina Kirchner, culpa é do mundo

Ariel Palacios, BUENOS AIRES, O Estadao de S.Paulo

08 de dezembro de 2008 | 00h00

"Estávamos tendo o maior crescimento dos últimos 200 anos quando, de repente, apareceu o mundo! E o mundo complicou a vida para nós, argentinos", lamentou a presidente Cristina Kirchner na semana passada. Esta foi a primeira admissão pública do governo de que a crise internacional chegou à Argentina. No entanto, analistas avaliam que a frase nega que - antes da crise - o país já arrastava problemas econômicos."Culpar o resto do mundo é simples e elimina o problema de explicar os erros próprios", diz Abel Viglione, economista da Fundação de Investigações Econômicas Latino-americanas (Fiel). Viglione acredita que a Argentina não sofrerá o impacto pelo lado financeiro, já que não pode colocar dívida voluntária desde dezembro de 2001, ano do calote. "O país será atingido pelos lados comercial e fiscal, pois 14% da arrecadação são de impostos provenientes das exportações."O cenário que desponta para o país em 2009 é sombrio. Empresários cortam gastos, consumidores compram apenas o indispensável. Nos mais diversos setores, o consumo despencou entre 30% e 40%. Já para este ano, o crescimento, antes estimado em 7%, deverá ficar em torno de 5%, dizem os analistas.Tudo indica que em 2009 os argentinos passarão por mais uma crise, a sexta desde 1975. A indústria automobilística e a construção civil, que puxaram o crescimento dos últimos anos, frearam drasticamente em novembro.Segundo a Fiel, a perspectiva para 2009 é de recessão. A projeção é de que o cresciemento econômico caia 1,7%. O economista Daniel Artana sustenta que a economia argentina está intensamente vinculada à brasileira e que, portanto, a desaceleração do Brasil se reflete em recessão na Argentina.O economista Miguel Ángel Broda apresenta dois cenários. Um, pessimista, que indica que o crescimento oscilará entre 0 e 1,5%. O segundo cenário, de grave pessimismo, retração de 1% a 3%. Não há cenários otimistas. A presidente conseguiu dissipar temporariamente os temores de um novo calote da dívida pública após a reestatização das aposentadorias. Segundo o economista Marcelo Lascano, em 2009 não haverá problemas para pagar os credores. Mas, em 2010, para esquivar o calote, "será necessário ser o Mandrake", ironiza em alusão ao mago dos quadrinhos.Nas duas últimas semanas, para suavizar o impacto da crise, Cristina anunciou medidas para reativar a economia. O pacote abrange a repatriação de capitais, uma megaanistia tributária e vantagens trabalhistas para o empresariado em troca de evitar demissões de trabalhadores. Além disso, anunciou um plano de estímulos às vendas de automóveis e redução dos impostos sobre as exportações agrícolas. No total, serão US$ 3,8 bilhões destinados a esses planos. No dia 15 anunciará os detalhes de um megaplano de obras públicas, de um total de US$ 21 bilhões. Com este conjunto de medidas, o governo aposta na preservação de 1,5 milhão de postos de trabalho. No interior da Argentina, a queda do preço das commodities preocupa. Na Província de Salta - responsável por 39% das exportações de petróleo - sofre com as perdas da lucratividade. Em Entre Ríos, Santa Fe, Córdoba e Santiago del Estero, o clima é de angústia, pois a soja - que perdeu 30% de seu valor - concentra mais de 25% das exportações dessas quatro províncias.

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